
Antes mesmo de assistir "O Discurso do Rei" o público já pode saber do motivo por ser um dos favoritos ao Oscar 2011. Uma história clássica, britânica, contada num período histórico e tendo a nata dos atores da Inglaterra. O que difere, porém, é que uma história que parece ser tão chata, pode se transformar mesmo no melhor filme de 2011.
O rei George VI (Colin Firth) assume o trono após a desistência de seu irmão, e, gago, teme realizar os discursos direcionados à sua nação.
Esse é o principal mote da história e, mesmo que por algumas vezes, o filme relembre que o que é contado ali é real e que crises aconteciam naquele país, o foco é sempre a gagueira do rei.
Com uma atuação brilhante de Colin Firth, dificilmente ele não leva o prêmio de melhor ator. Até porque, é complicadíssimo dramatizar um gago sem parecer clichê, engraçadinho ou exagerado. Colin consegue passar uma aflição que não se restringe apenas a história e por muitas vezes temos vontade de ajudá-lo. Assim como nos emocionamos quando ele revela um pouco dos motivos que o levam a ter esse defeito na fala, crucial para um rei que tem o dever de ser a voz do seu povo.
E o que torna esse filme delicioso é a atuação de cada ator, sem exceção. Helena Bonham Carter vive uma duquesa - e mais tarde, rainha - com tanta leveza e personalidade que, ás vezes, nem parece saber o cargo que ocupa na sociedade. Apesar de alguns trejeitos contemporâneos demais, é impossível não gostar dela.
E o que dizer de Geoffrey Rush, alma do filme e um deleite para quem o assiste?
Geoffrey faz um fonoaudiólogo nada ortodoxo que conquista o público desde o primeiro momento em que aparece.
Longe de ser óbvio (até mesmo os planos de câmera não são comuns), e com uma trilha sonora que há tempos o cinema não via, o filme consegue colocar a Segunda Guerra Mundial em último plano. Primeiro queremos ouvir o rei.
Discursos, na maioria das vezes, são sempre chatos e demorados. Não aqui. Aqui, queremos que o rei fale, grite, se expresse e consiga respeito. Mesmo se tratando de uma parte da história da família real em que a identificação com o cidadão comum é quase nula, o trunfo do filme é justamente nos aproximar e nos apresentar a uma das coisas que mais almejamos na vida: sermos ouvidos.
12 Indicações ao Oscar:
Filme
Diretor
Ator (Colin Firth)
Ator Coadjuvante (Geoffrey Rush)
Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter)
Roteiro Original
Direção de Arte
Fotografia
Figurino
Edição
Trilha Sonora Original
Mixagem de Som