James Cameron avisou que iria relançar sua obra mais famosa para relembrar os 100 anos de uma das tragédias mais famosas do mundo. Alguns falaram sobre a sede de dinheiro, outros sobre a oportunidade de ver ou rever este filme novamente. Sendo assim, por dinheiro ou por homenagem, o filme mais famoso do universo está de volta, apenas para entender que a força de um clássico ainda move multidões.
Lançado em 1997, "Titanic" era uma obra de pouca fé entre a crítica especializada. Seu diretor, James Cameron, vinha de "True Lies", filme megalômano planejado para ser um super sucesso e acabou um fracasso. Outros filmes sobre o naufrágio do navio mais luxuoso do mundo já havia sido feito. O orçamento exorbitante, atrasos nas filmagens e a pressão da imprensa fizeram com que ninguém acreditasse no projeto. O resultado foi completamente diferente: maior bilheteria de todos
os tempos (recorde mantido por 12 anos) e 11 Oscars a confirmar que "Titanic" é o blockbuster mais importante e popular dos últimos anos.
Se você morou num buraco nos últimos 15 anos e não sabe do que estou falando, aqui vai uma pequena sinopse: uma expedição aos destroços do Titanic
leva uma sobrevivente do naufrágio a relembrar uma grande história de
amor que viveu no navio. Em 1912, na única viagem do que então era o
maior navio já construído, Rose (Kate Winslet) é uma jovem da alta sociedade
prestes a se casar com seu rico noivo. Mas a bordo do Titanic ela
conhece Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), um jovem simples e aventureiro, e se
apaixona pelo rapaz. As diferenças sociais fazem com que muitos se
oponham ao relacionamento que surge. Em meio ao intenso romance e à
rebeldia dos dois, acontece o trágico acidente, que eles enfrentam
juntos.
A obra é um exemplo de como se contar uma história e seu relançamento apenas comprova. Assistir a um filme por três horas - mesmo que você já tenha visto dezenas de vezes - e ainda assim não sentir o tempo passar não é uma tarefa fácil. Cameron soube utilizar todas as cenas com maestria. Os flashbacks seguem sem quebrar o ritmo. Os diálogos - ás vezes um pouco forçados - reforçam a emoção e o tom épico da história. Como um grande clássico, "Titanic" evita cortes bruscos, hoje tão frequente no cinema. O público assiste e digere todas as cenas de forma calma e trabalhada. O naufrágio é contado em todas as suas fases. Acompanhamos desde a colisão até os passageiros no fundo do mar.
"Titanic" não foi feito em 3D. Logo, o resultado na tela não são pedras de gelo indo parar no seu rosto, mas uma profundidade de campo absurda. A experiência ganha uma carga emocional bem mais intensa daquela que já era forte. A técnica impecável só deixa mais certeza que é um dos filmes mais belos de se ver. Se antes éramos espectadores, agora conseguimos sentir o pânico daquele evento. Quando a câmera está na superfície da água, temos a impressão da água nos nossos olhos. A sequência final do naufrágio é de tirar o fôlego. Outra grande contribuição é a percepção - mesmo em 1997 - da grandiosa trilha sonora, que faz um trabalho magnífico e atribuí o drama da história.
"Titanic" não envelheceu nem por um segundo. A experiência de rever o filme na tela grande é obrigatório para quem já admirou tanto a história. As cenas clássicas ganham um impacto realmente gratificante e não é de se estranhar quando os créditos sobem e a atmosfera na sala de cinema de emoção. Aliás, seguras as lágrimas não é uma tarefa fácil. Rever um filme que já foi exibido tantas vezes e ainda arrancar elogios e exclamações do público não é pra qualquer cineasta, nem pra qualquer filme. E, se isso não é um bom filme, então eu não sei de mais nada.


