quinta-feira, 21 de março de 2013

Psicose semanal



É pretensão, mas eles fizeram: baseado nas personagens do livro "Psycho", de Robert Bloch, e no clássico filme homônimo dirigido por Alfred Hitchcock em 1960, Bates Motel propõe-se a contar o prelúdio de uma das histórias mais perturbadoras e famosas do cinema. E os produtores -- Carlton Cuse ("Lost") e Kerry Ehrin ("Friday Night Lights") -- fazem questão de mostrar isso nos créditos finais e nos dar a impressão de que acompanharemos, nos 10 episódios da nova série do canal A&E que estreou essa semana, nos EUA, um grande adendo a uma obra que, teoricamente, não precisava ser remexida. 

A crítica anda dizendo que o episódio piloto e os conflitos psicológicos apresentados lembram muito Hitchcock, mas vamos com calma. Bates Motel apresenta a adolescência de Norman Bates e a forma como ele se relaciona com sua mãe, Norma Bates. A série pretende mostrar como o rapaz se transformou no assassino que o mundo conhece. 

Logo, o interessante da série, pelo menos neste primeiro episódio, está na escolha dos produtores em mesclar o clima retrô feito por Hitchcock e o os dias atuais. Os Bates mudam-se para uma casa antiga e usam roupas formais, Norman ouve música clássica, assiste a filmes antigos, cita livros clássicos e o carro da família não é nada novo. Mas eles possuem iPhone. Embora esse conflito cause uma pequena quebra de clima, a direção segura consegue manter a tensão necessária. Outro acerto é atmosfera de estranheza que causa incômodo e que, afinal, é o grande trunfo de "Psicose".

São nas atuações que a série encontra seus maiores acertos. Vera Farmiga entrega uma mãe fria, frágil, manipuladora, opressora e todas as característica de uma pessoa com síndrome do ninho vazio. O filho, interpretado por Freddie Highmore (o garotinho do remake de "A Fantástica Fábrica de Chocolates"), aparece perfeito com suas inseguranças, medos, descobertas e o sentimento claustrofóbico causado pela mãe e que, consequentemente, é transmitido ao público A interação das duas personagens funciona muito bem, alcançando o efeito necessário: o bizarro  daquela relação entre mãe e filho.

Ainda é cedo para falar que a série é um grande acerto, já que alguns diálogos soam um pouco forçados e didáticos, apenas pra mostrar que a mãe é manipuladora e o menino sofrerá as consequências, coisas que a própria atuação já aponta. Se analisarmos a série sem pensar no filme, temos uma história padrão, em que uma família estranha se muda para uma casa bizarra em uma cidade esquisita. Nada muito novo. Alguns dramas destacados no piloto parecem querer mostrar ao telespectador "veja, veja, é aqui que você deve prestar atenção".

Mas o que foi exibido promete: clima de suspense, cenas fortes, problemas psicológicos visíveis e várias homenagens ao clássico de Hitchcock. Só não sei como eles podem desenvolver a narrativa sem que pareça uma simples série sobre um filho que é sufocado pela mãe. Mas foi uma grata surpresa voltar a se hospedar no Bates Motel.