segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O último ano das donas de casa desesperadas


"Desperate Housewives" deu início a sua última temporada no dia 25 de setembro, nos EUA. Depois de 7 anos, uma das série mais lucrativas da TV americana começa a se despedir. A audiência - que já chegou a 20 milhões - agora se contenta com cerca de 9 milhões, mas nem de longe pode ser considerada fracassada. Em 2005, "Desperate" foi a série mais vista no mundo, teve 15 indicações ao Emmy - levando 6 - 3 indicações ao Globo de Ouro, vencendo por Melhor Série Comédia em 2004 e uma versão horrorosa brasileira, produzida na Argentina e exibida pela Rede TV!.

Para quem não conhece, a série mostra a vida de cinco donas de casa, durante as suas lutas domésticas enquanto vários mistérios são desvendados. O estilo da série combina com elementos de drama, comédia, mistério e novela. A primeira temporada redefiniu o gênero "dramédia" e envolveu o público com a narração em off de uma personagem que morre logo no primeiro episódio. Até hoje, a série é narrada pelo ponto de vista de Mary Alice.

"Desperate" estreou na considerada "era de ouro" da televisão americana. Junto com "Lost", "Grey's Anatomy" e "House", a série manteve, por 6 anos, uma audiência acima da média. A sétima temporada já mostrou sinais de que o público estava cansando da mesma fórmula "um vizinho estranho chega à Wisteria Lane". Quando Marc Cherry - criador da série - anunciou seu afastamento da produção executiva, o canal ABC decidiu dar uma última temporada às donas de casa.

Não é fácil manter a regularidade numa série tão longa, mas Marc Cherry fez algo louvável. Na segunda temporada, o roteiro falhou ao apresentar uma nova família na rua. Com uma trama confusa, a crítica detonou a série e o próprio criador confessou que errou. As temporadas seguintes colocaram a série nos trilhos e o público também. Em 2009, por conselho dos criadores de "Lost", os roteiristas decidiram pular 5 anos a frente na série. Foi aí que as donas de casa - e a audiência - entraram em desespero. Os atores começaram a brigar por salário, status, quem aparecia mais e todos esses problemas que uma série com um elenco com tantas protagonistas causam. Porém, saltar 5 anos não mudou em nada a série e ainda causou estranheza quando nenhuma das atrizes (que já não são novas) envelheceu.

Ainda assim, "Desperate" se tornou um entretenimento de qualidade. A sintonia do elenco é visível, a direção faz aquele subúrbio parecer íntimo e a narrativa é tão bem construída que fica fácil fisgar a audiência. Da terceira temporada pra frente, todo ano a série trouxe um episódio-evento. Seja um assalto no supermercado, um furacão, um acidente de avião ou um motim dos moradores, eles sempre trouxeram algum impacto para as personagens e resolvia os problemas que, eventualmente, a série enfrentava.

Não há mais nada que esperar de "Desperate Housewives". A série já fez seu mérito há alguns anos atrás, porém, seu fim, em 2012, não deixará de ser triste, seja pela narração de Mary Alice, os assassinatos de toda temporada, as idiossincrasias de Bree, a futilidade de Gaby, os erros de Susan ou a sensacional Lynette. Não é fácil conseguir uma cena engraçada de uma dona de casa tentando conseguir uma receita de torta de limão ou ensinando a amiga a fazer um bolo de abacaxi para o marido desconfiado de uma traição. Tudo isso com um assassino na porta ao lado. E, sim, funciona.


Promo da versão britânica da série. Genial.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A bizarra "American Horror Story"



A história não é nada diferente do que você já viu. "American Horror Story" mostra o drama de uma família que tenta se reestruturar após alguns problemas. Como toda história de terror envolvendo uma casa assustadora, a família se muda para a residência onde os antigos moradores se suicídaram, tudo isso com vizinhos estranhos avisando "vocês vão morrer".
Criada por Ryan Murphy - criador de "Glee" e "Nip/Tuck" - a série estreou no canal americano FX no último dia 05 depois de muita divulgação, mostrando que o Sr. Murphy não perdeu a mão no quesito exagero. O que vemos em quase 1 hora de episódio é uma sucessão de cenas bizarras. Quem acompanhou "Nip/Tuck" sabe que medo de ousar ele não tem.

A função de um episódio piloto é fisgar o público para que ele veja o próximo e isso os produtores conseguem fazer bem, apesar da velocidade em que tudo acontece. De cara temos um flashback, a traição do marido, o aborto espontâneo da esposa, a filha problemática, a mudança deles na casa, os vizinhos, a governanta, a menina assustadora, o homem com o rosto deformado avisando que eles devem abandonar a casa, um homem vestido com uma roupa de látex meio ridícula (a melhor cena do episódio), o menino psicótico e uma nova gravidez. Isso tudo vem com jogos rápidos de câmera, umas cenas um pouco distorcidas e uns cortes bruscos. E isso tudo no primeiro episódio.

A escolha dos atores não poderia ter sido melhor. Connie Britton ("Friday Night Lights") está um tanto exagerada, mas segura o bem o papel da mãe sofredora. Dylan McDermott ("Dark Blue") não é um excelente ator, mas funcionou e Taissa Farmiga consegue ser "sou uma adolescente chata, mas cool". Mas nada supera a volta de Frances Conroy, a eterna Ruth da sensacional "Six Feet Under". Com algumas cenas, Conroy já mostra porque é uma excelente atriz.

Claramente inspirada em filmes como "O Iluminado", "Horror em Amythville", e "O bebê de Rosemary", a série consegue segurar o suspense até o fim e, em uma determinada cena, a história mostra que pode, sim, colocar medo.

O problema é que Ryan Murphy montou todo um circo de horrores e agora precisa explicá-los. Se levar em consideração os roteiros ralos de "Glee" e o péssimo caminho que "Nip/Tuck" tomou, eu teria cuidado antes de me apegar. A impressão é que pegaram todos os elementos de suspense e jogaram ali, sem qualquer preocupação com a narrativa. Aliás, por que diabos aquela vizinha entra a toda hora? E, sim, a governanta, aos olhos da mãe é uma senhora e aos olhos do marido é uma gostosa que dá em cima dele.

Não é nenhuma “a coisa mais assustadora da TV" como o FX estava vendendo, mas consegue seu propósito direitinho: impossível não assistir ao próximo episódio.


A série estreia na Brasil dia 08 de novembro, pela FOX, em versão dublada