quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A bizarra "American Horror Story"



A história não é nada diferente do que você já viu. "American Horror Story" mostra o drama de uma família que tenta se reestruturar após alguns problemas. Como toda história de terror envolvendo uma casa assustadora, a família se muda para a residência onde os antigos moradores se suicídaram, tudo isso com vizinhos estranhos avisando "vocês vão morrer".
Criada por Ryan Murphy - criador de "Glee" e "Nip/Tuck" - a série estreou no canal americano FX no último dia 05 depois de muita divulgação, mostrando que o Sr. Murphy não perdeu a mão no quesito exagero. O que vemos em quase 1 hora de episódio é uma sucessão de cenas bizarras. Quem acompanhou "Nip/Tuck" sabe que medo de ousar ele não tem.

A função de um episódio piloto é fisgar o público para que ele veja o próximo e isso os produtores conseguem fazer bem, apesar da velocidade em que tudo acontece. De cara temos um flashback, a traição do marido, o aborto espontâneo da esposa, a filha problemática, a mudança deles na casa, os vizinhos, a governanta, a menina assustadora, o homem com o rosto deformado avisando que eles devem abandonar a casa, um homem vestido com uma roupa de látex meio ridícula (a melhor cena do episódio), o menino psicótico e uma nova gravidez. Isso tudo vem com jogos rápidos de câmera, umas cenas um pouco distorcidas e uns cortes bruscos. E isso tudo no primeiro episódio.

A escolha dos atores não poderia ter sido melhor. Connie Britton ("Friday Night Lights") está um tanto exagerada, mas segura o bem o papel da mãe sofredora. Dylan McDermott ("Dark Blue") não é um excelente ator, mas funcionou e Taissa Farmiga consegue ser "sou uma adolescente chata, mas cool". Mas nada supera a volta de Frances Conroy, a eterna Ruth da sensacional "Six Feet Under". Com algumas cenas, Conroy já mostra porque é uma excelente atriz.

Claramente inspirada em filmes como "O Iluminado", "Horror em Amythville", e "O bebê de Rosemary", a série consegue segurar o suspense até o fim e, em uma determinada cena, a história mostra que pode, sim, colocar medo.

O problema é que Ryan Murphy montou todo um circo de horrores e agora precisa explicá-los. Se levar em consideração os roteiros ralos de "Glee" e o péssimo caminho que "Nip/Tuck" tomou, eu teria cuidado antes de me apegar. A impressão é que pegaram todos os elementos de suspense e jogaram ali, sem qualquer preocupação com a narrativa. Aliás, por que diabos aquela vizinha entra a toda hora? E, sim, a governanta, aos olhos da mãe é uma senhora e aos olhos do marido é uma gostosa que dá em cima dele.

Não é nenhuma “a coisa mais assustadora da TV" como o FX estava vendendo, mas consegue seu propósito direitinho: impossível não assistir ao próximo episódio.


A série estreia na Brasil dia 08 de novembro, pela FOX, em versão dublada

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