segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Solidão não mata, dá a ideia"

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Foi com essa frase que Uyara Torrente, Rodrigo Lemos, Vinícius Nisi, Diego Plaça e Luis Bourscheidt começaram as músicas "Ótima", "Solítária" e "Canção pra Não Voltar", no show do lançamento oficial do disco, em Curitiba. Eles são A Banda mais Bonita da Cidade, agora conhecidos nacionalmente, com passagens por Portugal e Paris. E o que mostraram foi exatamente a beleza de um show em que o que encanta não são os efeitos de uma grande produção musical, mas a sintonia cuidadosamente feita com o público.

O repertório inclui as 12 músicas do CD oficial e mais algumas versões de outras bandas locais. Com uma intensidade impressionante, o grupo consegue fazer com que a platéia mantenha os olhos fixos em cada detalhe e, se já não bastasse a beleza das próprias canções, o show ainda inclui uma série de participações especiais que emocionam por mostrar a gratidão por àqueles que ajudaram a montar um pequeno grupo de jovens animados em uma projeção nacional. Ainda que pareçam seguros de que  possuem a platéia nas mãos, tudo é despretensioso e humilde.

A humildade - ao menos por enquanto - é a maior qualidade do grupo. Desde o primeiro momento do show até o final, a afinidade criada pelos artistas/público é perceptível e não é de se estranhar que logo após a apresentação, os integrantes apareçam atrás do balcão de vendas do CD para autografar um por um. A gratidão com todos os envolvidos também é visível, já que não deixam de citar todos os nomes que tiveram importância no processo de gravação do disco. A atmosfera criada por todos é admirável. Não estamos assistindo apenas um belo show, como apreciamos cada nota musical, cada letra, cada movimento dos integrantes e eles conseguem fazer com que cada um que está ali se sinta parte da banda.

Um dos grandés méritos da banda é que, apesar de terem estourado com o vídeo de Oração, não é a música mais esperada. Ela é apenas mais uma das muitas que encantam o público e arrancaram sorrisos repentinos pela platéia. Apenas assistindo ao vivo é que se pode entender porque eles são, sim, a banda mais bonita da cidade.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Como transformar um livro simpático num filme insosso

Sabe quando você está ansioso pra ir em algum evento em que sabe que verá seus amigos, dará risadas e relembrará os velhos tempos, só que no decorrer da festa percebe que tudo está meio chato, algo está errado e você quer voltar pra casa? Foi exatamente essa a sensação que eu tive ao assistir à adaptação do best-seller Um dia, de David Nicholls.

Terminei de ler o livro hoje e vi que já estava disponível no submundo da pirataria em alguns sites de downloads - estranhamente o filme ainda não entrou em cartaz em Curitiba - e estava esperando a mesma sensação que tive ao ler. Personagens bens construídos, uma trama deliciosa e diálogos intelingentíssimos. Infelizmente, não só nada disso acontece como também é um filme...ruim.

O enredo é o seguinte: Dexter e Emma se conhecem na faculdade, em 1988, e passam a se encontrar uma vez por ano, durante 20 anos. A história acompanha suas vidas durante o período, até que eles percebem que talvez tenham sido feitos um para o outro. Se, no livro, cada ano consegue mostrar todos os personagens principais - e alguns não tão importantes, mas que conseguem envolver o leitor - de uma forma em que você percebe que eles estão mudando, o filme deixa tudo homogênio demais. Alguns flahs aqui e ali e parece que nada mudou. Emma parece uma bocó apaixonada e Dexter menos inconsequente do que realmente é.

Não sou daqueles xiitas que exigem que a obra cinematográfica seja completamente fiel ao livro - até porque ele é BASEADO -, mas, quando o próprio autor do livro ajuda a escrever o roteiro, a coisa muda de tom. Dirigido por Lone Scherfig - diretora do bom Educação - o filme é conduzido de uma forma insossa. Faltou um pouco de cuidado com os personagens. Pode até ser que a menininha romântica na sala de cinema fique emocionada com as feições da sempre ótima Anne Hathaway e com o sorriso do galã Jim Sturgess, mas não é o suficiente. Não há profundidade naquelas histórias, tudo é rápido e parece que eles pressuporam que o público já entenderia o amor daqueles dois. Tudo bem, o livro também não é tão profundo assim, mas constrói os sentimentos dos dois de uma forma calma e com cuidado. Se não dá pra fazer isso em um filme, então deveriam, ao menos, terem trabalhado melhor o começo do filme, pra que houvesse uma ligação maior entre os dois personagens.

Falando mais do livro, Um dia é deprestensioso de uma forma que te envolve e faz você amigo dos personagens. Todos os acontecimentos são plausíveis e podem acontecer com qualquer um. Afinal, quem nunca se perguntou como será a vida depois de formado? A narrativa é envolvente e cada capítulo conta um dia no ano de Emma e Dexter. Ao longo do livro, o quebra-cabeças vai sendo montado, até chegarmos ao 20º ano, em 2008. No filme, além de pular o ano de 2008, eles avançam para 2011. Mas, tudo bem, nós abstraímos. Afinal, não é todo mundo que leu ou vai ler.

Outro grande problema é a maquiagem. Eu gostaria muito de saber qual o segredo de Anne Hathaway, porque dos 22 aos 40 ela não envelhece uma ruga. Aliás, Hathaway é uma ótima atriz, porém, americana e a história toda se passa na Inglaterra. Mudar o sotaque não funcionou e ela parece um pouco desconfortável. Já a atuação de Jum Sturgess convence bem.

Não é que eu estava esperando um dos melhores filmes do ano, mas poderiam, pelo menos, ter acertado naquilo que foi proposto: emocionar. Confesso que em algumas cenas os olhos até tentam derrubar uma lágrima, mas aí você percebe que aquelas cenas são extremamente clichês e estão tentando te empurrar goela abaixo um sentimento que não conseguem passar. É triste um livro tão simpático e com uma história tão boa se transformar em um filme sem água e sem açúcar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Antes que o Mundo Acabe"

"Antes que o Mundo Acabe" (Antes que o Mundo Acabe, Brasil, 2010)
Direção: Ana Luiza Azevedo
Roteiro: Paulo Halm, Ana Luiza Azevedo   
Elenco: Janaina Kremer (Elaine), Eduardo da Luz Moreira, Pedro Tergolina 
Sinopse: Daniel é um adolescente que cresce em seu pequeno mundo com problemas que lhe parecem sem solução: uma namorada que não sabe o que quer, um amigo que está sendo acusado de roubo e como sair da pequena cidade em que vive. Tudo começa a mudar quando ele recebe uma carta do pai que nunca conheceu. Em meio a todas essas questões, ele terá de realizar suas primeiras escolhas adultas e descobrir que o mundo é muito maior do que se pensa.

Nos últimos dois anos, o Brasil produziu alguns longas sobre a adolescência. O foco foi a rebeldia comum dessa fase, drogas e sexo. Talvez, o melhor de "Antes que o Mundo Acabe" seja lembrar a inocência. Ou o fim dela. Ambientado em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, o longa mostra a delicada fase dos adolescentes de uma maneira despretensiosa e tocante. 

O inicio pode incomodar um pouco devido a atuação dos três jovens atores, encontrados por meio de testes. Com uma direção um pouco automatizada, os diálogos parecem marcados e travados, mas logo a evolução do trio é visível e a personalidade de cada um começa a ser moldada. Sem nenhum exagero, o longa não foca apenas em um sentimento, mas coloca toda a aflição de ser um adolescente em cenas marcantes que, exatamente por serem tão simplórias, acabam funcionando de uma forma que pode causar lágrimas do jovem de 15 anos até o adulto de 40.

Ao mesmo tempo comuns, os assuntos abordados pela diretora Ana Luiza Azevedo são essenciais para um filme adolescente. O primeiro porre, a primeira traição e o desenvolvimento familiar são tratados com a mesma seriedade, nunca caindo no piegas. Daniel é apaixonado por Mim (Bianca Menti), que gosta de Lucas (Eduardo Cardoso) que por sua vez é melhor amigo de Daniel.
A questão da paternidade abordada durante todo o longa também nunca cai no cafona. Longe de ser um drama, "Antes que o Mundo Acabe" traz uma reflexão sobre a inocência e, mesmo com todos os hábitos de uma cidade pequena, o longa nunca deixa de mostrar que a tecnologia também chegou ali. Daniel fica horas no computador ou conversando com seu amigo pela webcam. Aliás, uma das melhores cenas é quando o padrasto de Daniel, (Murilo Grossi, excelente) diz que na idade dele não havia tomado porre. “Você também não mandava e-mail na minha idade”, responde o menino. A vida acontece mais rapidamente nos dias de hoje, mesmo numa cidade de 15 mil habitantes.

Uma grata surpresa do filme é a atriz Caroline Guedes, que interpreta a irmã mais nova de Daniel. É interessante assistir o ponto de vista através dos olhos de uma criança. Pra ela, o irmão vive irritado, evidenciando, assim, as crises tão comuns entre os adolescentes.

Com uma trilha sonora irresistível (com direito a uma versão nacional de uma música dos Beatles), "Antes que o Mundo Acabe" torna-se uma experência sensorial. Em quase duas horas de filme, somos levados de volta ao sentimento agridoce daquele tempo em que os problemas pareciam bem maiores do que realmente são. Não é só mais um filme sobre adolescência. Estreante na direção, Ana Luiza Azevedo conseguiu criar uma obra com ternura, humor, qualidade e honestidade. Todos os personagens são críveis, sem artificialidade ou exageros. É aquele filme que se assiste com um sorriso nos lábios e uma lágrima no canto do olho. Irresistível.