Sabe quando você está ansioso pra ir em algum evento em que sabe que verá seus amigos, dará risadas e relembrará os velhos tempos, só que no decorrer da festa percebe que tudo está meio chato, algo está errado e você quer voltar pra casa? Foi exatamente essa a sensação que eu tive ao assistir à adaptação do best-seller Um dia, de David Nicholls.
Terminei de ler o livro hoje e vi que já estava disponível no submundo da pirataria em alguns sites de downloads - estranhamente o filme ainda não entrou em cartaz em Curitiba - e estava esperando a mesma sensação que tive ao ler. Personagens bens construídos, uma trama deliciosa e diálogos intelingentíssimos. Infelizmente, não só nada disso acontece como também é um filme...ruim.
O enredo é o seguinte: Dexter e Emma se conhecem na faculdade, em 1988, e passam a se encontrar
uma vez por ano, durante 20 anos. A história acompanha suas vidas
durante o período, até que eles percebem que talvez tenham sido feitos
um para o outro. Se, no livro, cada ano consegue mostrar todos os personagens principais - e alguns não tão importantes, mas que conseguem envolver o leitor - de uma forma em que você percebe que eles estão mudando, o filme deixa tudo homogênio demais. Alguns flahs aqui e ali e parece que nada mudou. Emma parece uma bocó apaixonada e Dexter menos inconsequente do que realmente é.
Não sou daqueles xiitas que exigem que a obra cinematográfica seja completamente fiel ao livro - até porque ele é BASEADO -, mas, quando o próprio autor do livro ajuda a escrever o roteiro, a coisa muda de tom. Dirigido por Lone Scherfig - diretora do bom Educação - o filme é conduzido de uma forma insossa. Faltou um pouco de cuidado com os personagens. Pode até ser que a menininha romântica na sala de cinema fique emocionada com as feições da sempre ótima Anne Hathaway e com o sorriso do galã Jim Sturgess, mas não é o suficiente. Não há profundidade naquelas histórias, tudo é rápido e parece que eles pressuporam que o público já entenderia o amor daqueles dois. Tudo bem, o livro também não é tão profundo assim, mas constrói os sentimentos dos dois de uma forma calma e com cuidado. Se não dá pra fazer isso em um filme, então deveriam, ao menos, terem trabalhado melhor o começo do filme, pra que houvesse uma ligação maior entre os dois personagens.
Falando mais do livro, Um dia é deprestensioso de uma forma que te envolve e faz você amigo dos personagens. Todos os acontecimentos são plausíveis e podem acontecer com qualquer um. Afinal, quem nunca se perguntou como será a vida depois de formado? A narrativa é envolvente e cada capítulo conta um dia no ano de Emma e Dexter. Ao longo do livro, o quebra-cabeças vai sendo montado, até chegarmos ao 20º ano, em 2008. No filme, além de pular o ano de 2008, eles avançam para 2011. Mas, tudo bem, nós abstraímos. Afinal, não é todo mundo que leu ou vai ler.
Outro grande problema é a maquiagem. Eu gostaria muito de saber qual o segredo de Anne Hathaway, porque dos 22 aos 40 ela não envelhece uma ruga. Aliás, Hathaway é uma ótima atriz, porém, americana e a história toda se passa na Inglaterra. Mudar o sotaque não funcionou e ela parece um pouco desconfortável. Já a atuação de Jum Sturgess convence bem.
Não é que eu estava esperando um dos melhores filmes do ano, mas poderiam, pelo menos, ter acertado naquilo que foi proposto: emocionar. Confesso que em algumas cenas os olhos até tentam derrubar uma lágrima, mas aí você percebe que aquelas cenas são extremamente clichês e estão tentando te empurrar goela abaixo um sentimento que não conseguem passar. É triste um livro tão simpático e com uma história tão boa se transformar em um filme sem água e sem açúcar.



Nenhum comentário:
Postar um comentário