segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A volta de "The Walking Dead" e seus fãs xiitas



Neste domingo, "The Walking Dead" voltou ao ar nos Estados Unidos garantindo 10,9 milhões de americanos em frente à TV, uma audiência impressionante para um canal fechado. Que a série é a mais hype de todas, não há dúvida. "True Blood" perdeu seu posto há algumas temporadas. Agora voltam as discussões sobre os zumbis, conversas sobre como a série é boa, comparações com os gibis e aqueles comentários que todos nós ouvimos quando os episódios terminam. Um fenômeno assim eu só lembro de "Lost", assim como os fãs xiitas que não veem um defeito na série.

As duas primeiras temporadas se sustentam naqueles velhos argumentos de que eles estão preparando terreno para grandes acontecimentos, que nos quadrinhos é assim, que os zumbis são uma metáfora para a grande complexidade humana que é a série. Tudo isso funciona, parabéns aos envolvidos. Mas "The Walking Dead" - a série de TV - não pode se sustentar achando que apenas os aficionados a comprarão. Não que ela faça isso, mas os fãs enlouquecidos realmente acham que, se você não sabe a grande mitologia dos zumbis, você não merece dar um pitaco sobre a série. Bom, aqui estou eu.

É perigoso falar de TWD. Caso você diga que ela não é tão boa, que enrola 35 minutos para mostrar o que realmente importa nos últimos 5, que os diálogos são longos demais, que sempre tem alguém tentando fazer alguma coisa que preste enquanto o outro fica atrapalhando, é bem provável que tem olhem com aquele ar de julgamento. Você não entende nada de seriados. O problema é que, sim, "The Walking Dead" uma boa série, mas extremamente irregular. Quando o programa estreou, lembro que muita gente ficou empolgada, inclusive eu. Com o passar dos episódios, ouvi algumas pessoas reclamando que faltava ação. Pra mim, a série era bem interessante. Mas aí ela começou a se levar a sério demais. Não que séries fantásticas assim não possam ser complexas. Temos ótimos exemplos com "Buffy, a caça-vampiros", "Angel" e "Battlestar Galactica", mas os zumbis não são o caso. Em sua segunda temporada, a simpática fazenda em que os nossos amigos refugiam-se é interessante, mas aí eles ficam mais da metade da temporada em um lugar seguro em que, em uma série sobre mortos-vivos, você tinha que se emocionar com uma mulher tentando abortar, conseguindo as pílulas e depois vomitá-las. Ou com personagens que você nunca teve nenhuma grande ligação e agora tem que torcer pra um romance que começa do nada. Ou para uma menina chata que desaparece e ficam a metade da temporada tentando achá-la. Mas, calma, no final, uma grande acontecimento surge e você precisa ver o próximo, assim você acha que a série é a coisa mais genial da TV. Além disso, os roteiristas não sabem aproveitar todos os personagens. Alguém me diz o motivo de T-Dog (olha o apelido) e aquela mãe que perdeu a filha, e que meu cérebro nunca decora nome, ainda fazem na série? 

Mas eis que a terceira temporada estreia e eu vou com meu coração aberto assisti-la. Vejamos a sinopse da série: criada pelo quadrinista Robert Kirkman, um grupo de sobreviventes de um holocausto zumbi é conduzido pelo policial Rick Grimes (Andrew Lincoln) em busca de um local seguro para viver. E é isso, desde que estreou. Eles andam, lutam, andam, acham um lugar seguro, o lugar não é mais seguro, eles lutam, eles andam, eles transam, eles comem, eles discutem, eles brigam, eles criam conflitos, eles andam, eles fogem, eles brigam, eles discutem, eles falam frases de efeitos, eles matam, eles brigam, sangue. Pra que roteiro se você tem efeitos especiais de primeira? Não é que tiros, sangue e luta garantam uma boa série, mas em uma história em que o mundo está lotado de zumbis, o senso de urgência é mais do que necessário. Na estreia do novo ano, nós vimos, de novo, pessoas correndo, achando um lugar, sentindo-se seguras, para, no final, conhecerem novas pessoas e novos desafios. A mesma coisa de sempre. 

Eu continuo assistindo porque, repito, a série tem tudo pra ser boa. Ela sabe criar tensão e já mostrou que consegue fazer episódios sensacionais, mas suas sub-tramas são frágeis o bastante pra cair na monotonia. Quem leu os quadrinhos (olha só!), diz que a história dessa temporada é bem empolgante. Quem defende a série com unhas e dentes (que trocadilho!) não parece perceber os subterfúgios que ela usa pra apresentar uma história que poderia ser contada bem mais rapidamente. Em uma série que só se importa com finais, zumbis atacando, pessoas gritando e alguém fazendo algo idiota são argumentos bem fracos pra quem acha essa série a revolução da televisão mundial. Aaargh!






domingo, 14 de outubro de 2012

Opinião sobre novas séries e temporadas

Há tempo que eu não consigo me concentrar em uma nova série nova ou seguir uma temporada certa, com calendário e dias da semana em que os episódios são exibidos nos Estados Unidos (sim, eu fazia isso). Já foi-se a época em que eu tinha tempo de escrever sobre cada programa que eu assistia, mas nesse feriado eu tive a oportunidade de conferir algumas produções que já acompanho e uma nova série. Confira abaixo:


"Homeland" - a série querida do momento - vencedora do Globo de Ouro e Emmy de Melhor Série Dramática - voltou e muito, muito bem. Se na primeira temporada alguns diziam que ela era  a mais nova "24 Horas", a estreia do segundo ano só constatou. Terroristas, roteiro inteligente, climinha de tensão, FBI atrapalhando a vida de quem realmente sabe fazer as coisas. Só falta o relógio na tela contando os segundos. O segundo episódio acabou em um nível que mais parecia a metade da temporada do que o começo dela. Entretenimento é o episódio terminar e você ficar com seu queixo caído durante uns 2 minutos. Pra quem não conhece, a série conta a história de Carrie (Claire Danes), que ao receber uma informação de que um americano foi convertido e seria agora parte de uma célula terrorista, conclui que esse homem é Nicholas Brody (Damian Lewis), fuzileiro resgatado após ser mantido prisioneiro pela Al-Qaeda por oito anos. Brody, por sua vez, é um homem que, após ser resgatado e recebido como herói, tenta se readaptar à sua vida e se reconectar com a esposa e seus dois filhos, estranhos para ele. Clique aqui para ler a crítica do "Irritando" sobre a série

"Revenge" - a série mais clichê-novela-trash-boa está de volta do mesmo jeitinho que terminou. Emily Thorne planejando sua vingança (que será maior, muito maior), personagens nada críveis, histórias mirabolantes, samurai meio cafona com suas frases de efeito, uma trama que não faz muito sentido e tecnologia de ponta. Que saudades da cafonice mais bem feita da TV. Revenge é baseada no livro de Alexandre Dumas, "O Conde de Monte Cristo", e conta a história de Emily Thorne, uma garota misteriosa que chega aos Hamptons, em Nova York, em busca de vingança contra aqueles que destruíram sua família. Emily é, na verdade, Amanda Clarke, uma garota que morou ali na infância e que agora aluga a mesma casa na qual viu seu pai ser preso por um crime que não cometeu. Agora rica e mais emancipada, a garota retorna para a cidade e começa a executar seu plano, derrubando um inimigo por vez. Clique aqui para ler a crítica do "Irritando" sobre a série

"666 Park Avenue" - pegando carona no sucesso de "American Horror Story", o drama apresenta Jane (Rachael Taylor, Charlie’s Angels) e Henry (Dave Annable de Brothers & Sisters), um casal que sai do interior para tentar a vida em Nova Iorque. Na cidade grande, eles são contratados como síndicos do Drake, um prédio de apartamentos de um bairro nobre. O que o casal não sabe é que cada morador do prédio tem seus desejos realizados graças a um pacto feito com o Diabo. Não vejo como essa série pode se sustentar ao longo dos seus 22 episódios, mas os dois primeiros são muito bem feitos, conseguem fugir do clichê - coisa difícil, pela própria temática - e conseguem algo raro em série de TV: dar bons sustos. Outra coisa são os efeitos especiais. A maioria das séries que tentam pender para o lado sobrenatural utilizam a tecnologia para criar algo assustador, mas só criam frustração. "666", pelo menos nesse começo, não exagerou e os poucos efeitos são bem produzidos, nada exagerados e funcionais.

Tirando isso, ainda me falta ver "Glee". Uma hora vou descobrir a dificuldade que eu tenho em começar uma nova temporada dessa série. Comecei pra valer a sensacional "Breaking Bad", preciso terminar "The Big C", escrever sobre filmes que eu vi e comprar um utilitário chamado tempo.