Neste domingo, "The
Walking Dead" voltou ao
ar nos Estados Unidos garantindo 10,9 milhões de americanos em frente à TV, uma
audiência impressionante para um canal fechado. Que a série é a mais hype de todas, não há dúvida. "True Blood" perdeu
seu posto há algumas temporadas. Agora voltam as discussões sobre os zumbis,
conversas sobre como a série é boa, comparações com os gibis e aqueles
comentários que todos nós ouvimos quando os episódios terminam. Um fenômeno
assim eu só lembro de "Lost",
assim como os fãs xiitas que não veem um defeito na série.
As duas primeiras temporadas se sustentam naqueles
velhos argumentos de que eles estão preparando terreno para grandes
acontecimentos, que nos quadrinhos é assim, que os zumbis são uma metáfora para
a grande complexidade humana que é a série. Tudo isso funciona, parabéns aos
envolvidos. Mas "The
Walking Dead" - a série de TV - não pode se sustentar achando que
apenas os aficionados a comprarão. Não que ela faça isso, mas os fãs
enlouquecidos realmente acham que, se você não sabe a grande mitologia dos
zumbis, você não merece dar um pitaco sobre a série. Bom, aqui estou eu.
É perigoso falar de TWD. Caso
você diga que ela não é tão boa, que enrola 35 minutos para mostrar o que
realmente importa nos últimos 5, que os diálogos são longos demais, que sempre
tem alguém tentando fazer alguma coisa que preste enquanto o outro fica
atrapalhando, é bem provável que tem olhem com aquele ar de julgamento. Você não
entende nada de seriados. O problema é que, sim, "The Walking
Dead" uma boa série, mas
extremamente irregular. Quando o programa estreou, lembro que muita gente ficou
empolgada, inclusive eu. Com o passar dos episódios, ouvi algumas pessoas
reclamando que faltava ação. Pra mim, a série era bem interessante. Mas aí ela
começou a se levar a sério demais. Não que séries fantásticas assim não possam
ser complexas. Temos ótimos exemplos com "Buffy,
a caça-vampiros", "Angel" e "Battlestar Galactica",
mas os zumbis não são o caso. Em sua segunda temporada, a simpática fazenda em
que os nossos amigos refugiam-se é interessante, mas aí eles ficam mais da
metade da temporada em um lugar seguro em que, em uma série sobre mortos-vivos,
você tinha que se emocionar com uma mulher tentando abortar, conseguindo as
pílulas e depois vomitá-las. Ou com personagens que você nunca teve nenhuma
grande ligação e agora tem que torcer pra um romance que começa do nada. Ou
para uma menina chata que desaparece e ficam a metade da temporada tentando
achá-la. Mas, calma, no final, uma grande acontecimento surge e você precisa
ver o próximo, assim você acha que a série é a coisa mais genial da TV. Além
disso, os roteiristas não sabem aproveitar todos os personagens. Alguém me
diz o motivo de T-Dog (olha o apelido) e aquela mãe que perdeu a filha, e que
meu cérebro nunca decora nome, ainda fazem na série?
Mas eis que a terceira temporada estreia e eu vou com meu
coração aberto assisti-la. Vejamos a sinopse da série: criada pelo quadrinista Robert Kirkman, um grupo de
sobreviventes de um holocausto zumbi é conduzido pelo policial Rick Grimes
(Andrew Lincoln) em busca de um local seguro para viver. E é isso, desde que
estreou. Eles andam, lutam, andam, acham um lugar seguro, o lugar não é mais
seguro, eles lutam, eles andam, eles transam, eles comem, eles discutem, eles
brigam, eles criam conflitos, eles andam, eles fogem, eles brigam, eles
discutem, eles falam frases de efeitos, eles matam, eles brigam, sangue. Pra
que roteiro se você tem efeitos especiais de primeira? Não é que tiros, sangue
e luta garantam uma boa série, mas em uma história em que o mundo está lotado
de zumbis, o senso de urgência é mais do que necessário. Na estreia do novo
ano, nós vimos, de novo, pessoas correndo, achando um lugar, sentindo-se
seguras, para, no final, conhecerem novas pessoas e novos desafios. A mesma
coisa de sempre.
Eu continuo assistindo porque, repito, a série tem tudo pra
ser boa. Ela sabe criar tensão e já mostrou que consegue fazer episódios sensacionais,
mas suas sub-tramas são frágeis o bastante pra cair na monotonia. Quem leu os
quadrinhos (olha só!), diz que a história dessa temporada é bem empolgante.
Quem defende a série com unhas e dentes (que trocadilho!) não parece perceber
os subterfúgios que ela usa pra apresentar uma história que poderia ser contada
bem mais rapidamente. Em uma série que só se importa com finais, zumbis atacando,
pessoas gritando e alguém fazendo algo idiota são argumentos bem fracos pra
quem acha essa série a revolução da televisão mundial. Aaargh!



