sábado, 1 de dezembro de 2012

Uma vida sem felicidade


O amor é teorizado. Crônicas, músicas, poesias, filmes, todos informam que é o sentimento mais perturbador, necessário e bonito. E que não devemos nos envergonhar, seja qual for o tipo. Mas há amores que a sociedade diz serem errados, evitados e calados. O que "Beleza" (Skoonheid, 2011) - filme do diretor sul-africano Oliver Hermanus - mostra é que, teoricamente, nenhuma forma de amor deve ser retraída, porém, há pessoas que  odeiam o próprio sentimento, criando uma vida crua e sem felicidade.

François (Deon Lotz) é um homem casado, pai de 2 filhas e leva uma vida considerada normal. Conversa com sua mulher antes de dormir, acorda, lava o rosto, sai para o trabalho, conversa trivialidades com os amigos. Porém, precisa lidar com a atração sentida por outros homens e o conflito que o sentimento desperta nele. No casamento de sua filha, encontra-se com Christian (Charlie Keegan), filho de um velho amigo, e a atração por ele logo torna-se uma obsessão.

Desde o início, Hermanus filma sem pressa. Planos longos, fechados e lentos tomam conta de todo o filme. Não há alívio cômico. A opção por um filme monótono e sem grandes reviravoltas é acertada. O incômodo e depressão vividos por François são brilhantemente sentidos pelo público. Monótono não é sinônimo de desinteressante (ao menos no longa) e as cenas parecem aleatórias, mas todas dizem como a vida daquele homem é vazia. François vive em uma eterna atuação. Dentro de casa os diálogos são mínimos e não há sorrisos. Em seus encontros de orgias secretas com outros homens o tom educado e cordial tenta mostrar que há uma normalidade ali. Com a sociedade, François se mostra feliz, equilibrado e sem problemas. Já não existe mais identidade. François é o padrão que a sociedade espera e as consequências de um sentimento enrustido são mostradas aos poucos.

A opção de Hermanus em filmar muito do filme pelo ponto de vista de François garante belíssimas cenas, como a de abertura e a da lanchonete, quase no fim do filme. Nessas cenas, vemos o fio de esperança de François, sua melancolia, seu horror, seu medo e suas dúvidas. Muito da ação desenvolvida na obra é sutil. A câmera foca no rosto de François e sua expressão diz mais coisas do que o roteiro poderia explicitar. Não é necessário contar, a angústia daquele homem é palpável, graças à direção segura. E quando Hermanus decide mostrar até onde o sentimento reprimido de François pode o levar, o faz de uma forma chocante, na cena mais forte do longa.


Alguns problemas ocorrem durante a história. Certas situações parecem serem postas e não são desenvolvidas corretamente. O final é aberto a inúmeras conclusões, porém, algumas questões são ignoradas. Há a diferença do público interpretar e imaginar respostas e há o simples exercício de jogar situações que exigem, pelo menos, algum indício do que poderia acontecer. Aqui, infelizmente, muito do que não é contado precisa de um desenvolvimento, deixando a obra um tanto desequilibrada. Se em certos momentos a sutileza e a atuação propositalmente apática de Deon Lotz comunica exatamente o que está acontecendo, em outros parece ter havido preguiça em dar uma conclusão a algo exposto.

Porém, essas pequenas falhas não prejudicam a experiência. Hermanus, com seu olhar pessoal, filma com personalidade. O incômodo se mostra muito bem apresentado e o diretor consegue fazer com que nós, meros espectadores que julgam François, nos coloquemos na pele do personagem. Não há nenhuma grande discussão, nenhuma cena conclusiva e nenhum indício de libertação de uma vida tão sem graça. É um filme que milhares de François por aí deveriam ver. Mas não vão.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A volta de "The Walking Dead" e seus fãs xiitas



Neste domingo, "The Walking Dead" voltou ao ar nos Estados Unidos garantindo 10,9 milhões de americanos em frente à TV, uma audiência impressionante para um canal fechado. Que a série é a mais hype de todas, não há dúvida. "True Blood" perdeu seu posto há algumas temporadas. Agora voltam as discussões sobre os zumbis, conversas sobre como a série é boa, comparações com os gibis e aqueles comentários que todos nós ouvimos quando os episódios terminam. Um fenômeno assim eu só lembro de "Lost", assim como os fãs xiitas que não veem um defeito na série.

As duas primeiras temporadas se sustentam naqueles velhos argumentos de que eles estão preparando terreno para grandes acontecimentos, que nos quadrinhos é assim, que os zumbis são uma metáfora para a grande complexidade humana que é a série. Tudo isso funciona, parabéns aos envolvidos. Mas "The Walking Dead" - a série de TV - não pode se sustentar achando que apenas os aficionados a comprarão. Não que ela faça isso, mas os fãs enlouquecidos realmente acham que, se você não sabe a grande mitologia dos zumbis, você não merece dar um pitaco sobre a série. Bom, aqui estou eu.

É perigoso falar de TWD. Caso você diga que ela não é tão boa, que enrola 35 minutos para mostrar o que realmente importa nos últimos 5, que os diálogos são longos demais, que sempre tem alguém tentando fazer alguma coisa que preste enquanto o outro fica atrapalhando, é bem provável que tem olhem com aquele ar de julgamento. Você não entende nada de seriados. O problema é que, sim, "The Walking Dead" uma boa série, mas extremamente irregular. Quando o programa estreou, lembro que muita gente ficou empolgada, inclusive eu. Com o passar dos episódios, ouvi algumas pessoas reclamando que faltava ação. Pra mim, a série era bem interessante. Mas aí ela começou a se levar a sério demais. Não que séries fantásticas assim não possam ser complexas. Temos ótimos exemplos com "Buffy, a caça-vampiros", "Angel" e "Battlestar Galactica", mas os zumbis não são o caso. Em sua segunda temporada, a simpática fazenda em que os nossos amigos refugiam-se é interessante, mas aí eles ficam mais da metade da temporada em um lugar seguro em que, em uma série sobre mortos-vivos, você tinha que se emocionar com uma mulher tentando abortar, conseguindo as pílulas e depois vomitá-las. Ou com personagens que você nunca teve nenhuma grande ligação e agora tem que torcer pra um romance que começa do nada. Ou para uma menina chata que desaparece e ficam a metade da temporada tentando achá-la. Mas, calma, no final, uma grande acontecimento surge e você precisa ver o próximo, assim você acha que a série é a coisa mais genial da TV. Além disso, os roteiristas não sabem aproveitar todos os personagens. Alguém me diz o motivo de T-Dog (olha o apelido) e aquela mãe que perdeu a filha, e que meu cérebro nunca decora nome, ainda fazem na série? 

Mas eis que a terceira temporada estreia e eu vou com meu coração aberto assisti-la. Vejamos a sinopse da série: criada pelo quadrinista Robert Kirkman, um grupo de sobreviventes de um holocausto zumbi é conduzido pelo policial Rick Grimes (Andrew Lincoln) em busca de um local seguro para viver. E é isso, desde que estreou. Eles andam, lutam, andam, acham um lugar seguro, o lugar não é mais seguro, eles lutam, eles andam, eles transam, eles comem, eles discutem, eles brigam, eles criam conflitos, eles andam, eles fogem, eles brigam, eles discutem, eles falam frases de efeitos, eles matam, eles brigam, sangue. Pra que roteiro se você tem efeitos especiais de primeira? Não é que tiros, sangue e luta garantam uma boa série, mas em uma história em que o mundo está lotado de zumbis, o senso de urgência é mais do que necessário. Na estreia do novo ano, nós vimos, de novo, pessoas correndo, achando um lugar, sentindo-se seguras, para, no final, conhecerem novas pessoas e novos desafios. A mesma coisa de sempre. 

Eu continuo assistindo porque, repito, a série tem tudo pra ser boa. Ela sabe criar tensão e já mostrou que consegue fazer episódios sensacionais, mas suas sub-tramas são frágeis o bastante pra cair na monotonia. Quem leu os quadrinhos (olha só!), diz que a história dessa temporada é bem empolgante. Quem defende a série com unhas e dentes (que trocadilho!) não parece perceber os subterfúgios que ela usa pra apresentar uma história que poderia ser contada bem mais rapidamente. Em uma série que só se importa com finais, zumbis atacando, pessoas gritando e alguém fazendo algo idiota são argumentos bem fracos pra quem acha essa série a revolução da televisão mundial. Aaargh!






domingo, 14 de outubro de 2012

Opinião sobre novas séries e temporadas

Há tempo que eu não consigo me concentrar em uma nova série nova ou seguir uma temporada certa, com calendário e dias da semana em que os episódios são exibidos nos Estados Unidos (sim, eu fazia isso). Já foi-se a época em que eu tinha tempo de escrever sobre cada programa que eu assistia, mas nesse feriado eu tive a oportunidade de conferir algumas produções que já acompanho e uma nova série. Confira abaixo:


"Homeland" - a série querida do momento - vencedora do Globo de Ouro e Emmy de Melhor Série Dramática - voltou e muito, muito bem. Se na primeira temporada alguns diziam que ela era  a mais nova "24 Horas", a estreia do segundo ano só constatou. Terroristas, roteiro inteligente, climinha de tensão, FBI atrapalhando a vida de quem realmente sabe fazer as coisas. Só falta o relógio na tela contando os segundos. O segundo episódio acabou em um nível que mais parecia a metade da temporada do que o começo dela. Entretenimento é o episódio terminar e você ficar com seu queixo caído durante uns 2 minutos. Pra quem não conhece, a série conta a história de Carrie (Claire Danes), que ao receber uma informação de que um americano foi convertido e seria agora parte de uma célula terrorista, conclui que esse homem é Nicholas Brody (Damian Lewis), fuzileiro resgatado após ser mantido prisioneiro pela Al-Qaeda por oito anos. Brody, por sua vez, é um homem que, após ser resgatado e recebido como herói, tenta se readaptar à sua vida e se reconectar com a esposa e seus dois filhos, estranhos para ele. Clique aqui para ler a crítica do "Irritando" sobre a série

"Revenge" - a série mais clichê-novela-trash-boa está de volta do mesmo jeitinho que terminou. Emily Thorne planejando sua vingança (que será maior, muito maior), personagens nada críveis, histórias mirabolantes, samurai meio cafona com suas frases de efeito, uma trama que não faz muito sentido e tecnologia de ponta. Que saudades da cafonice mais bem feita da TV. Revenge é baseada no livro de Alexandre Dumas, "O Conde de Monte Cristo", e conta a história de Emily Thorne, uma garota misteriosa que chega aos Hamptons, em Nova York, em busca de vingança contra aqueles que destruíram sua família. Emily é, na verdade, Amanda Clarke, uma garota que morou ali na infância e que agora aluga a mesma casa na qual viu seu pai ser preso por um crime que não cometeu. Agora rica e mais emancipada, a garota retorna para a cidade e começa a executar seu plano, derrubando um inimigo por vez. Clique aqui para ler a crítica do "Irritando" sobre a série

"666 Park Avenue" - pegando carona no sucesso de "American Horror Story", o drama apresenta Jane (Rachael Taylor, Charlie’s Angels) e Henry (Dave Annable de Brothers & Sisters), um casal que sai do interior para tentar a vida em Nova Iorque. Na cidade grande, eles são contratados como síndicos do Drake, um prédio de apartamentos de um bairro nobre. O que o casal não sabe é que cada morador do prédio tem seus desejos realizados graças a um pacto feito com o Diabo. Não vejo como essa série pode se sustentar ao longo dos seus 22 episódios, mas os dois primeiros são muito bem feitos, conseguem fugir do clichê - coisa difícil, pela própria temática - e conseguem algo raro em série de TV: dar bons sustos. Outra coisa são os efeitos especiais. A maioria das séries que tentam pender para o lado sobrenatural utilizam a tecnologia para criar algo assustador, mas só criam frustração. "666", pelo menos nesse começo, não exagerou e os poucos efeitos são bem produzidos, nada exagerados e funcionais.

Tirando isso, ainda me falta ver "Glee". Uma hora vou descobrir a dificuldade que eu tenho em começar uma nova temporada dessa série. Comecei pra valer a sensacional "Breaking Bad", preciso terminar "The Big C", escrever sobre filmes que eu vi e comprar um utilitário chamado tempo.

domingo, 23 de setembro de 2012

Vencedores do Emmy Awards 2012


Em uma premiação um tanto maçante, a 64ª premiação dos Emmy Awards ocorreu sem muitas surpresas. A adaptação da série israelense "Homeland" levou o principal prêmio da noite por Melhor Série Dramática. "Mad Men", pela primeira vez desde de sua estreia, não levou nenhum troféu. "Modern Family" segue como Melhor Série de Comédia pelo terceiro ano consecutivo.

Um dos melhores momentos da noite foi a premiação de Julianne Moore, pela sua interpretação como Sarah Palin, no telefilme "Game Change". "Me sinto tão bem, porque a Sarah Palin me desaprovou", disse a atriz.

Jessica Lange levou o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante pela sua interpretação em "American Horror Story". Claire Danes levou o prêmio de Melhor Atriz em Série Dramática, o que já era esperado. Julia Loius-Dreyfus levou o prêmio de Melhor Atriz em Série de Comédia pela excelente "Veep". A surpresa da noite foi a premiação de Jon Cryer como Melhor Ator em Série de Comédia, justamente no primeiro ano em que "Two and a Half Men" não conta com Charlie Sheen. Confira abaixo a lista completa dos ganhadores:



Melhor ator coadjuvante em série de comédia
Ed O'Neill ("Modern family")
Jesse Tyler Ferguson ("Modern family")
Ty Burrell ("Modern family")
Eric Stonestreet ("Modern family")
Bill Hader ("Saturday night live")
Max Greenfield ("New girl")
Melhor ator em série de comédia
Larry David ("Curb your enthusiasm")
Jon Cryer ("Two and a half men")
Louis C.K. ("Louie")
Jim Parsons ("The big bang theory")
Don Cheadle ("House of lies")
Melhor atriz coadjuvante em série de comédia
Mayim Bialik ("The big bang theory")
Merritt Wever ("Nurse Jackie")
Julie Bowen ("Modern family")
Kristen Wiig ("Saturday night live")
Sofía Vergara ("Modern family")
Kathryn Joosten ("Desperate housewives")
Melhor ator em série de comédia
Larry David ("Curb your enthusiasm")
Jon Cryer ("Two and a half men")
Louis C.K. ("Louie")
Jim Parsons ("The big bang theory")
Don Cheadle ("House of lies")
Melhor atriz em série de comédia
Zooey Deschanel ("New girl")
Lena Dunham ("Girls")
Edie Falco ("Nurse Jackie")
Amy Poehler ("Parks and recreation")
Tina Fey ("30 rock")
Julia Louis-Dreyfus ("Veep")
Melissa McCarthy ("Mike & Molly")
Programa de competição ou reality show
“So you think you can dance”
“The amazing race”
“Top chef”
“Project runaway”
“The voice”
Apresentador de reality show ou programa de competição
Cat Deeley, (“So you think you can dance”)
Phil Keoghan (“The amazing race”)
Ryan Seacrest (“American idol”)
Betty White (“Betty White’s off their rockers”)
Tom Bergeron (“Dancing with the stars”)
Melhor ator coadjuvante em série dramática
Aaron Paul ("Breaking bad")
Giancarlo Esposito ("Breaking bad")
Brendan Coyle ("Downton abbey")
Jim Carter ("Downton abbey")
Jared Harris ("Mad men")
Peter Dinklage ("Game of thrones")
Melhor atriz coadjuvante em série dramática
Archie Panjabi ("The good wife")
Anna Gunn ("Breaking bad")
Maggie Smith ("Downton abbey")
Joanne Froggatt ("Downton abbey")
Christina Hendricks ("Mad men")
Christine Baranski ("The good wife")
Melhor ator em série dramática
Steve Buscemi ("Boardwalk empire")
Michael C. Hall ("Dexter")
Bryan Cranston ("Breaking bad")
Hugh Bonneville ("Downton abbey")
Jon Hamm ("Mad men")
Damian Lewis ("Homeland")
Melhor atriz em série dramática
Julianna Margulies ("The good wife")
Michelle Dockery ("Downton abbey")
Elizabeth Moss ("Mad men")
Kathy Bates ("Harry's law)
Claire Danes ("Homeland")
Glenn Close ("Damages")
Programa de variedades
"The daily show with Jon Stewart"
"The Colbert report"
"Real time with Bill Maher"
"Saturday night live"
"Jimmy Kimmel live"
"Late night with Jimmy Fallon"
Melhor atriz coadjuvante em filme ou minissérie
Sarah Paulson ("Game change")
Frances Conroy ("American horror story")
Jessica Lange ("American horror story")
Judy Davis ("Page Eight (Masterpiece)")
Mare Winningham ("Hatfields & McCoys")
Melhor ator coadjuvante em filme ou minissérie
Ed Harris ("Game change")
Denis O'Hare ("American horror story")
David Strathairn ("Hemingway & Gellhorn")
Martin Freeman ("Sherlock: A scandal In Belgravia (Masterpiece)")
Tom Berenger ("Hatfields & McCoys")
Melhor atriz em filme ou minissérie
Julianne Moore ("Game change")
Connie Britton ("American horror story")
Nicole Kidman ("Hemingway & Gellhorn")
Emma Thompson ("The song of lunch (Masterpiece)")
Ashley Judd ("Missing")
Melhor ator em filme ou minissérie
Woody Harrelson ("Game change")
Clive Owen ("Hemingway & Gellhorn")
Benedict Cumberbatch ("Sherlock: A scandal In Belgravia (Masterpiece)")
Idris Elba ("Luther")
Kevin Costner ("Hatfields & McCoys")
Bill Paxton ("Hatfields & McCoys")
Melhor filme ou minissérie
"Game change"
"American horror story"
"Hemingway & Gellhorn"
"Sherlock: A scandal In Belgravia (Masterpiece)"
"Luther"
"Hatfields & McCoys"
Melhor série dramática
"Boardwalk empire"
"Breaking bad"
"Game of thrones"
"Mad men"
"Downton abbey"
"Homeland"
Melhor série de comédia
"Curb your enthusiasm"
"Girls"
"30 rock"
"Veep"
"Modern family"
"The big bang theory"

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Vencedores do Emmy 2012 - Prêmios técnicos


Do blog Temporadas, da jornalista Fernanda Furquim.



A cerimônia de entrega dos prêmios técnicos, conhecida nos EUA como Creative Arts Emmy Awards, foi realizada no dia 15 de setembro, em Los Angeles. Na TV, o evento será exibido no dia 22, nos EUA, pelo canal Reelz. No dia 23 de setembro será realizada a cerimônia de entrega dos prêmios principais, com transmissão ao vivo para o Brasil pelo canal Warner, a partir das 21h.

Entre as séries indicadas aos prêmios técnicos, Game of Thrones foi a produção que conquistou o maior número de estatuetas, com um total de seis: direção de arte, figurino, maquiagem (sem prótese), edição de som, mixagem de som e efeitos visuais. Em seguida vem a minissérie britânica Grandes Esperanças, que levou quatro prêmios: direção de arte, direção de fotografia, figurino e sequência de abertura. A série Boardwalk Empire e a minissérie Hatfields & McCoys empataram com um total de três prêmios cada uma. Downton Abbey, Homeland e Two and a Half Men ficaram cada uma com dois prêmios.

A HBO ficou com a maior parte dos prêmios, um total de dezessete, seguida pela CBS, com treze, e pela PBS, com onze.

A grande surpresa da noite foi o ator Michael J. Fox, que concorria como melhor ator convidado em série dramática e em série cômica, perder nas duas categorias. Na dramática, a estatueta ficou com Jeremy Davies. Este foi o segundo ano seguindo em que Davies disputou o prêmio por Justified. Na comédia, o prêmio foi para Jimmy Fallon, por sua participação em Saturday Night Live.

Entre as atrizes, o prêmio para Kathy Bates, por seu trabalho em Two and a Half Men, já era esperado. Tal como Michael J. Fox, Kathy disputava o prêmio nas duas categorias: dramática e cômica. Esta é a 11ª indicação da atriz ao Emmy e a primeira em que sai vencedora. Na categoria série dramática, Martha Plimpton ficou com o prêmio por seu trabalho em The Good Wife. Esta foi a terceira indicação da atriz ao Emmy, sendo a primeira vez que sai vencedora.

O Emmy de melhor elenco em série dramática ficou com Homeland, uma das favoritas para o prêmio de melhor série, que será revelado no dia 23 de setembro. Na categoria melhor elenco em série cômica, o prêmio ficou com Girls, que também concorre ao prêmio principal de melhor série.

Os apresentadores da noite foram Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother), Johnny Galecki e Bill Prady (The Big Bang Theory), Mark Margolis e Vince Gilligan (Breaking Bad), Emily Deschanel e Hart Hanson (Bones), Billy Gardell e Mark Roberts (Mike & Molly), Mark Gardner e David Carbonara (Mad Men) e Kathy Griffin (Susan).

Confira abaixo a lista dos ganhadores:

Elenco de Série Dramática
Homeland

Elenco de Série Cômica
Girls

Elenco de Minissérie ou Telefilme
Game Change

Ator Convidado em Série Dramática
Jeremy Davies, Justified

Ator Convidado em Série Cômica
Jimmy Fallon, Saturday Night Live

Atriz Convidada em Série Cômica
Kathy Bates, Two And A Half Men

Atriz Convidada em Série Dramática
Martha Plimpton, The Good Wife

Série Infanto Juvenil
Wizards Of Waverly Place

Animação
The Penguins Of Madagascar: The Return Of The Revenge Of Dr. Blowhole

Animação – Curta Duração
Regular Show – Eggscellent

Dublagem e Narração
Maurice LaMarche, Futurama – The Silence Of The Clamps

Direção de Arte – Multicâmera
2 Broke Girls – And The Rich People Problems, And The Reality Check, And The Pop Up Sale

Diretor de Arte – Câmera Única (Empate)
Boardwalk Empire – Peg Of Old, Battle Of The Century e To The Lost
Game Of Thrones – Garden Of Bones, The Ghost Of Harrenhal e A Man Without Honor

Direção de Arte para Minissérie 
Great Expectations

Direção de Fotografia – Multi-Camera
Steven V. Silver, Two And A Half Men – Sips, Sonnets, And Sodomy

Diretor de Fotografia – Single Camera
Jonathan Freeman, Boardwalk Empire – 21

Diretor de Fotografia de Minissérie ou Telefilme
Florian Hoffmeister, Great Expectations Part 2 (minissérie britânica)

Direção Técnica e de Controle de câmera de vídeo
Saturday Night Live – Eps. apresentado por Mick Jagger

Figurino
Game Of Thrones – The Prince Of Winterfell

Figurino – Minissérie, Telefilme ou Especial
Great Expectations – Part 2 (minissérie britânica)

Edição – Série Dramática – Single Camera
Homeland – Pilot

Edição – Série Cômica – Single Camera
Curb Your Enthusiasm – Palestinian Chicken


Edição de Série Cômica – Multi-Camera
How I Met Your Mother – Trilogy Time

Edição – Minissérie ou Telefilme
Hatfields & McCoys – Part 2 (minissérie)

Penteado – Single Camera
Downton Abbey – Episode 1

Penteado – Minissérie ou Telefilme
American Horror Story

Produção Adaptada para Mídia Alternativa
The Team Coco Sync App

Produção Original para Mídia Alternativa
Dirty Work

Sequência de Abertura – Design
Great Expectations

Maquiagem – Single Camera – Sem Prótese
Game Of Thrones – The Old Gods And The New

Maquiagem – Multi -Camera – Sem Prótese
Dancing With The Stars – Episode 1307

Maquiagem – Minissérie ou Telefilme – Sem Próteses
Hatfields & McCoys

Maquiagem – Série, Minissérie ou Telefilme – Com Próteses
The Walking Dead – What Lies Ahead

Trilha Musical – Composição Original – Séries 
Downton Abbey – Episode 6

Trilha Musical – Composição Original – Minisséries, Telefilmes ou Especiais
Hemingway & Gellhorn (telefilme)

Canção Original
65th Annual Tony Awards – Música: It’s Not Just For Gays Anymore

Tema de Abertura
Page Eight (Telefilime)

Edição de Som – Série de TV
Game Of Thrones – Blackwater

Edição de Som – Minissérie, Telefilme ou Especial
Hemingway & Gellhorn (telefilme)

Mixagem de Som – Série Dramática
Game Of Thrones – Blackwater

Mixagem de Som – Minissérie ou Telefilme
Hatfields & McCoys – Part 1 (minissérie)

Mixagem de Som – Série Cômica – Meia-Hora
Modern Family – Dude Ranch

Efeitos Visuais
Game Of Thrones – Valar Morghulis

Efeitos Visuais de Apoio
Boardwalk Empire – Georgia Peaches

Equipe de Dublês
Southland – Wednesday

sábado, 1 de setembro de 2012

Blog de cara nova

Esse blog anda um luxo, poder, glamour, dinastia e ilustrado. Depois de anos com uma imagem patrocinada por um desenho aleatório do Google, agora ele tem um layout decente.

Essa ilustração saiu das mãos do meu amigo André Alves. Formado em Design, tem uma paixão pela ilustração que é lindo de ver. Sabe aquela pessoa que nasceu pra isso? Talento nato? É exatamente assim. Olhar o caderninho de desenhos dele é pra ficar babando. O mais legal é que ele tem um traço só dele, ou seja, personalidade. O menino vai longe!

Entra no andre+design e fique impressionado com o talento desse garoto.

Gostou? Pra entrar em contato com o André e conhecer mais do seu trabalho, só acessar sua página pessoal no Facebook e fazer sua encomenda. 

sábado, 18 de agosto de 2012

É possível odiarmos nossos filhos?


Massacres em escolas já não são novidades, principalmente nos EUA, em que eventos como esses já se tornaram corriqueiros. No Brasil, o caso Realengo ainda rende assunto, principalmente nas revistas, que fazem análises sobre o comportamento humano e crianças agressivas. Mas e os pais?

A escritora Lionel Shriver estudou diversos casos de adolescentes que assassinaram colegas e professores em colégios estadunidenses. Com uma coletânea de mentes perturbadas, Shriver montou um romance epistolar que vai muito além da rasa discussão sobre os pesadelos americanos. Precisamos falar sobre o Kevin escancara, com uma sinceridade desconcertante, os mais profundos pensamentos que são, digamos, proibidos pela sociedade: uma mãe, obrigatoriamente, ama o seu filho? A culpa do distúrbio de comportamento de uma criança é exclusivamente dos pais? Durante as 463 páginas, lemos as longas e detalhadas cartas de uma mulher ao seu marido. Eles precisavam falar sobre o Kevin. E nós também precisamos.

Considerado um romance "inadaptável", a diretora irlandesa, Lynne Ramsay, conseguiu o feito de transportar para as telas um drama nada convencional. Eva (Tilda Swinton) é mãe de Kevin (Ezra Miller), adolescente que cometeu assassinato em massa em sua escola. Sem conseguir entender as ações do filho, ela tenta lidar com sua dor e o sentimento de culpa, por se sentir responsável pelo fato. Embora o livro (como de costume) seja muito mais rico em detalhes, a diretora fez uma linda adaptação, que pode ser definida como um soco no estômago. A hipocrisia nunca teve tantas consequências.

Diante de cenas nada fáceis para os olhos do espectador, somos levados à mente da mãe e do filho, deixando o entorno apenas como a consequência dessa relação que, desde sempre, nunca foi natural. O esforço de Eva em amar o seu filho é mais por algo que a sociedade espera do que pelo próprio sentimento. Em uma tentativa frustrada de brincar com seu filho, Eva joga a bola para Kevin esperando que ele a jogue de volta, o que de fato acontece, mais por um jogo de manipulação do que por um passatempo dos dois. E se, num pensamento rápido e raso, colocamos toda a culpa em cima de Eva, essa conclusão logo se torna confusa, já que, quando Kevin demonstra um pequeno interesse e carinho pela mãe, esta se torna carinhosa e feliz por estar ao lado do filho.

A diretora não filma de forma tradicional. Em cenas com cortes secos, trilha sonora angustiante (composta pelo guitarrista do Radiohead), alternando músicas felizes que ironizam as cenas aterrorizantes, o clima de anormalidade se instaura desde a primeira cena. E se a maioria delas mostra Eva envolta em tons vermelhos - a casa depredada pelos cidadãos, o banho de tomate, as mãos sujas de tinta vermelha - o recurso, que não é nada sutil, cabe perfeitamente no filme, já que a sociedade a culpa pelo derramamento de sangue do filho. Contar uma história de forma não linear também não é nenhuma novidade, mas a edição se mostra acertada ao alternar as fases da vida da mãe, já que vemos uma mulher cheia de energia se transformando em resquícios de uma pessoa cuja a forma conhecida de vida lhe foi tirada e não há condições de que possa vivê-la novamente. Toda essa montagem despadronizada das produções de Hollywood faz com que mergulhemos em uma experiência única, capaz de render debates durante dias. Somos forçados a conversar sobre a natureza humana como ela pode ser, e não como nos ditam ser.
E se a mãe é a discussão central da história, o pai não aparece muito, apesar da ligação direta entre os dois. Mesmo assim, o personagem jamais é desperdiçado. Enquanto Eva enxerga o filho como um ser humano frio, o pai coloca desculpas por meio de clichês. O menino é apenas um adolescente, toda criança faz isso, você não entende os garotos. Para os mais puritanos, a postura do pai é exemplar; para outros, a mãe estava certa o tempo todo. Mas em uma história em que certo e errado não podem ser definidos, vemos apenas as reflexões de uma mulher que tentou entender sua própria cria, mesmo com medo da resposta.

Se as cenas são brilhantemente dirigidas, as atuações complementam e fazem o filme se transformar em obrigatório. Tilda Swinton está impecável interpretando a aflitiva Eva Khatchadourian. Os olhos de Tilda vão do horror à tristeza e, por mais que a história seja de difícil identificação, ela nos leva à dor e a confusão de todos aqueles acontecimentos. John C. Reilly entrega sua habitual e perfeita atuação. Mas o papel de monstro foi escolhido a dedo em todas as fases. Vivido por Jaspear Newell na infância e por Ezra Miller na adolescência, as atuações dos dois - principalmente de Miller - se tornam aquelas em que tomamos referência para falar sobre o ator. A frieza de Miller é louvável quando precisamos de apenas olhares para entendermos que as situações mostradas ali não são pequenos fatos isolados e normais, mas um trabalho de uma mente perturbada que merece atenção. Mais uma vez, falar sobre Kevin é essencial.

Não entregando as respostas que todos esperam, tanto a diretora quanto a escritora deixam que a conclusão seja tirada pelo público, caso haja uma. Talvez, o objetivo da obra seja um aviso sobre os estereótipos pintados pela sociedade. Nem toda mãe é celestial, nem todo filho é uma dádiva, nem toda criança ama seus pais e nem todas as questões consideradas perturbadoras podem ser ignoradas apenas por causarem incômodo. 


domingo, 22 de julho de 2012

A normalidade que aterroriza

"Michael" (Michael, 2011) não é um filme fácil. Classificada como drama, a obra também poderia ser de horror, tamanha a monstruosidade mostrada em seus 96 minutos. Dirigido por Markus Schleinzer, o filme austríaco conta a história de Michael, 35 anos, um corretor de seguros que leva uma vida aparentemente normal. Recentemente promovido, ele comemora junto aos colegas de trabalho. Em sua pequena casa no subúrbio, porém, guarda um segredo: mantém prisioneiro em seu porão o menino Wolfgang, de 10 anos, e o submete a uma rotina de abusos sexuais. Convivendo, os dois partilham de momentos de aparente naturalidade, seja assistindo à televisão ou dando pequenos passeios eventuais, que encobrem a verdadeira relação entre o molestador e a vítima.

 


O incômodo ao assistir o filme vem da normalidade. Michael trabalha, ouve música, paga contas, leva o lixo, recolhe cartas, atende telefone, tira férias. Não há nenhuma grande cena emblemática. Tudo é sóbrio, limpo, seco. Schleinzer deixa sempre a impressão de que algo vai acontecer e essa espera acaba tornando-se uma experiência dolorosa, porém, necessária. O diretor nos leva a uma mente doente, repulsiva, louca, mas que não mostra indícios de que aquela pessoa possa ser capaz de fazer tantas atrocidades e essa revelação acaba sendo assustadora quando pensamos que a situação, de fato, acontece diariamente sem que tenhamos a mínima ideia. Não há preocupação em escancarar as ações do pedófilo. Em nenhum momento vemos cenas de sexo explícito e, por isso mesmo, a angustia toma conta do começo ao fim. Aqui, o não saber é o que causa nojo. Por mais incômodo que seja, é preciso perceber que criminosos não aparecem como demônios com rosto agressivo. 

O densenrolar da história é mostrado lentamente. Nunca sabemos exatamente o que acontece ou como acontece. Schleinzer usa o silêncio para perturbar. O grito do garoto em determinada cena é usado para que nós, espectadores passivos, possamos respirar um pouco, mas não muito. O diretor sufoca e faz isso usando a calma do dia a dia. A criança, assim como nós, não entende os reais motivos, apenas não gosta do que acontece e sente falta dos pais ao mesmo tempo em que constrói uma relação com o abusador. Mesmo quando há uma pequena esperança de que aquilo tudo vai acabar bem, a sensação de mal estar não some, assim como as marcas causadas naquele menino também não sumirão. Quando estamos prestes a nos livrar desta experiência amarga, ela acaba sem que possamos ficar indiferentes ao que nos foi mostrado. Não ignorar é o que se espera.

Markus Schleinzer entrega um filme duro, sem espaço para alívio e que não precisa de uma justificativa para existir. Algumas pessoas podem achar desnecessário, mas é justamente a cegueira opcional que mantém tantas pessoas iguais a Michael espalhadas por aí.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Os indicados ao Emmy 2012


Foi divulgado, na manhã desta quinta-feira, os indicados ao Emmy 2012, que premia séries e os profissionais da talevisão americana. Concorrem ao Emmy programas que tenham sido exibidos em 50% do território americano, via TV aberta, a cabo ou banda larga, com um número mínimo de seis episódios exibidos entre os dias 1º de junho de 2011 e 31 de maio de 2012. A lista dos indicados é obtida através do voto dos membros ativos da Academia. Cada  membro votante pode indicar o número máximo de seis atores e dez produções. Destes, o seis mais votados por categoria são indicados ao prêmio.

Como já está virando tradição, a maioria das séries indicadas são de canais a cabo. A cerimônia será apresentada no Brasil pelo canal Warner no dia 23 de setembro. A chegada dos artistas inicia às 20h; a cerimônia de entrega dos prêmios começa a ser transmitida às 21h, com comentários do jornalista Paulo Gustavo Pereira. A reapresentação do evento será no dia 24 de setembro, às 17h.
Ficaram empatados como líderes de indicações Mad Men e American Horror Story, com 17 cada. Hatfields & McCoys e Downton Abbey chegaram em segundo, com 16 cada; e Hemingway & Gellhorn ficou em terceiro lugar, com 15 indicações. Esses números incluem todas as categorias menores e técnicas da premiação, que vão de melhor iluminação a melhor penteado.
Confira as principais indicações abaixo:

Melhor série dramática
  • Boardwalk Empire
  • Breaking Bad
  • Downton Abbey
  • Game of Thrones
  • Homeland
  • Mad Men
Melhor atriz em série dramática
  • Kathy Bates - Harry's Law
  • Glenn Close - Damagens
  • Claire Danes - Homeland
  • Michelle Dockery - Downton Abbey
  • Julianna Margulies - The Good Wife
  • Elizabeth Moss - Mad Men
Melhor ator em série dramática
  • Hugh Bonneville - Downton Abbey
  • Steve Buscemi - Boardwalk Empire
  • Michael C. Hall - Dexter
  • Bryan Cranston - Breaking Bad
  • Jon Hamm - Mad Men
  • Demian Lewis - Homeland
 
Melhor atriz coadjuvante em série dramática
  • Christine Baranski - The Good Wife
  • Joanne Froggatt - Downton Abbey
  • Anna Gunn - Breaking Bad
  • Christina Hendricks - Mad Men
  • Archie Panjabi - The Good Wife
  • Maggie Smith - Downton Abbey
Melhor ator coadjuvante em série dramática
  • Jim Carter - Downton Abbey
  • Brendan Coyle - Downton Abbey
  • Peter Dinklage - Game of Thrones
  • Giancarlo Esposito - Breaking Bad
  • Aaron Paul - Breaking Bad
  • Jared Jarris - Mad Men
Melhor atriz convidada em série dramática
  • Joan Cusack - Shameless
  • Loretta Devine - Grey's Anatomy
  • Julia Ormond - Mad Men
  • Martha Plimpton - The Good Wife
  • Jean Smart - Harry's Law
  • Uma Thurman - Smash
Melhor ator convidado em drama
  • Dylan Baker - The Good Wife
  • Jeremy Davies - Justified
  • Ben Feldman - Mad Men
  • Michael J. Fox - The Good Wife
  • Mark Margolis - Breaking Bad
  • Jason Ritter - Parenthood
Melhor série cômica
  • 30 Rock
  • The Big Bang Theory
  • Curb Your Enthusiasm
  • Girls
  • Modern Family
  • Veep
Melhor atriz em série cômica
  • Zooey Deschanel - New Girl
  • Lena Dunham - Girls
  • Edie Falco - Nurse Jackie
  • Tina Fey - 30 Rock
  • Julia Louis-Dreyfus - Veep
  • Melissa McCarthy - Mike & Molly
  • Amy Poehler - Parks and Recreation
Melhor ator em série cômica
  • Alec Baldwin - 30 Rock
  • Louis C.K. - Louie
  • Don Cheadle - House of Lies
  • Jon Cryer - Two and a Half Men
  • Larry David - Curb Your Enthusiasm
  • Jim Parsons - The Big Bang Theory
Melhor atriz coadjuvante em série cômica
  • Mayim Bialik - The Big Bang Theory
  • Julie Bowen - Modern Family
  • Kathryn Joosten - Desperate Housewives
  • Sofia Vergara - Modern Family
  • Merritt Wever - Nurse Jackie
  • Kristen Wiig - Saturday Night Live
Melhor ator coadjuvante em série cômica
  • Ty Burrell - Modern Family
  • Jesse Tyler Ferguson - Modern Family
  • Max Greenfield - New Girl
  • Bill Hader - Saturday Night Live
  • Ed O'Neill - Modern Family
  • Eric Stonestreet - Modern Family
Melhor atriz convidada em série cômica
  • Elizabeth Banks - 30 Rock
  • Kathy Bates - Two and a Half Men
  • Margaret Cho - 30 Rock
  • Dot-Marie Jones - Glee
  • Melissa McCarthy - Saturday Night Live
  • Maya Rudolph - Saturday Night Live
Melhor ator convidado em série cômica
  • Will Arnett - 30 Rock
  • Bobby Cannevale - Nurse Jackie
  • Jimmy Fallon - Saturday Night Live
  • Michael J. Fox - Curb Your Enthusiasm
  • Jon Hamm - 30 Rock
  • Greg Kinnear - Modern Family
Melhor minissérie ou filme feito para TV
  • American Horror Story
  • Game Change
  • Hatfields & McCoys
  • Hemingway & Gellhorn
  • Luther
  • Sherlock: "A Scandal in Belgravia"
Melhor atriz em minissérie ou filme feito para TV
  • Connie Britten - American Horror Story
  • Ashley Judd - Missing
  • Nicole Kidman - Hemingway & Gellhorn
  • Julianne Moore - Game Change
  • Emma Thompson - The Song of Lunch
Melhor ator em minissérie ou filme feito para TV
  • Kevin Costner - Hatfields & McCoys
  • Benedict Cumberbatch - Sherlock: "A Scandal in Belgravia"
  • Idris Elba - Luther
  • Woody Harrelson - Game Change
  • Clive Owen - Hemingway & Gellhorn
  • Bill Paxton - Hatfields & McCoys
Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme feito para TV
  • Frances Conroy - American Horror Story
  • Judy Davis - Page Eight
  • Jessica Lange - American Horror Story
  • Sarah Paulson - Game Change
  • Mare Winningham - Hatfields & McCoys
Melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme feito para TV
  • Tom Berenger - Hatfields & McCoys
  • Martin Freeman - Sherlock: "A Scandal in Belgravia"
  • Ed Harris - Game Change
  • Denis O'Hare - American Horror Story
  • David Strathairn - Sherlock: "A Scandal in Belgravia"
Melhor programa de variedade, música ou comédia
  • The Colbert Report
  • The Daily Show with Jon Stewart
  • Jimmy Kimmel Live
  • Late Night with Jimmy Fallon
  • Real Time with Bill Maher
  • Saturday Night Live

domingo, 24 de junho de 2012

Novela mexicana de qualidade


Existem muitas séries por aí e algumas você deve passar longe. São aquelas que apostam tudo, acham que vão revolucionar o mundo do entretenimento, subestimam sua inteligência e tudo acaba indo para o fatal cancelamento. Outras, começam ruins e vão melhorando ao longo da temporada, muitas vezes transformando-se em uma das melhores coisas do ano. Mas, também, há o caso daquelas séries que são realmente muito ruins, sabem disso, não tentam disfarçar e conseguem deixar o público sem piscar em todos os episódios. "Revenge" é o mais novo exemplo de que, quando o enredo não ajuda muito, a forma de se contar uma história pode ser realmente genial.

Vamos lá. Você já deve ter visto inúmeras novelas com vingança como pano de fundo, mas nunca viu vingança com tanta gente rica, bonita, sem ocupação e que vive fazendo caras e bocas que te deixam chocado. Beaseado no livro de Alexandre Dumas, "O Conde de Monte Cristo", a série conta a história de Emily Thorne (interpretada pela adorável Emily VanCamp, de "Everwood" e "Brothers & Sisters"), uma garota misteriosa que chega aos Hamptons, em Nova York, em busca de vingança contra aqueles que destruíram sua família. Emily é, na verdade, Amanda Clarke, uma garota que morou ali na infância e que agora aluga a mesma casa na qual viu seu pai ser preso por um crime que não cometeu. Agora, podre de rica, a garota retorna para a cidade e começa a executar seu plano, derrubando um inimigo por vez. E, acredite, é sensacional!

E quando eu digo que não há episódio desperdiçado, estou falando sério. Logo no piloto da série, vemos Emily fazer sua cara de "cheguei e vou eliminar um por um" e humilhar publicamente a melhor amiga da matriarca da família Grayson. O elenco é inteiro canastrão. Eles fazem aquela cara de surpresa, terror, medo, malícia, esperteza e inclua quantas mais você quiser. As situações vão além do absurdo e você só não sai rindo por aí dizendo "que porcaria" porque tudo funciona maravilhosamente bem.


O roteiristas souberam amarrar a história direitinho. Cada personagem está ali por algum motivo e sempre acontece alguma coisa. Esqueça essa história de construção das personagens, envolvimento e evolução da história. Tudo é rápido e te pega desprevenido. Eu, por exemplo, comecei a assistir a série sem nenhum interesse e, de repente, me vi na frente do computador por umas 8 horas até chegar ao tão comentado final de temporada (que nem é tão sensacional assim, mas aí você já está envolvido até o pescoço).


Só sei que, de repente, a série nem é "tão-ruim-que-é-boa" e você acaba viciado e achando que é a melhor coisa da TV nos últimos anos. Tem a Emily sempre com aquela cara "você é apenas uma peça no meu tabuleiro e me vingarei, aguarde", tem um japonês que ensinou artes marciais e aparece para lembrá-la que não se pode ter emoções, ninguém naquela comunidade rica tem ocupação, o filho do casal rico só usa frase de efeito e nunca pergunta que assunto a Emily tem pra resolver toda hora (como disse um amigo meu, a menina sai às 4 da manhã, diz que foi comprar peixe e, ok, ele acredita), todo mundo entra na casa da Emily sem avisar, porta sempre está aberta e ela guarda um baú megaultrahipersecreto embaixo do assoalho da casa. Tem tudo isso, mas acompanhado de gente rica, bonita e ainda com vingança, não tem como não gostar. 

Se você quer assistir a uma série cabeça, com uma história para acrescentar conteúdo em sua alma, no seu âmago, em você enquanto ser humano, eu indico "Mad Men", "Sopranos", "Breaking Bad", "Six Feet Under" e por aí vai. Mas se você quer diversão, tensão até o fim, personagens legais e uma história de arregalar os olhos, saia logo daí e vá atrás de "Revenge". Como disse a jornalista Cláudia Croitor, pra que verossimilhança com uma história tão boa assim?

Melhor vício do ano.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Séries boas que tornaram-se péssimas

Sabe aquela série que você acompanhava há anos, jurava que era a melhor coisa da (sua) televisão e, de repente, ela vai tomando rumos estranhos e acaba sendo a história mais chata e ruim da TV? Ou quando a série vai indo bem e acontece um evento que muda tudo e aí os roteiristas perdem a mão, não conseguem desenvolver as mudanças e tudo acaba ficando horrível? Ou quando você ama uma série, fica anos sem ver e, quando revê, percebe que o seu gosto era pra lá de duvidoso? Pois bem, isso é mais comum do que parece e tem até um termo específico para explicar. 
Jumping the shark é uma frase criada por Jon Hein, um radialista famoso nos Estados Unidos, usada para descrever aquele momento da história de uma série de TV na qual a qualidade começa a decair e nunca mais consegue se recuperar. Aqui vão alguns exemplos da minha linda e querida história televisiva.

"Smallville" (2001) - Confesso. Nunca foi boa, mas por ela eu comecei a falar sobre temporadas, reprises, roteiristas e todo esse dicionário de série. Mas aí fui crescendo e, lá pela sétima temporada (foram dez!), comecei a sentir vergonha pelo texto, pelos atores, pela história e por todo aquele negócio de Super-Homem salvando o mundo. A série começou a cair na quinta temporada e foi recupear o fôlego na sétima, mas aí os próprios atores começaram a abandonar a história eu já tinha mostrado a criptonita. Tchau, Clark.


"Nip/Tuck" (2003) - Eu declarava a quem quisesse ouvir: a série mais corajosa e inteligente no ar. As três primeiras temporadas de "Nip/Tuck" são de aplaudir de pé em frente ao aparelho de televisão. O enredo era envolvente, a qualidade era excelente, os atores davam um show e os politicamente corretos do Parents Television Council se organizavam pra tirar a série do ar, devido ao seu conteúdo explícito. Depois, novamente, os roteiristas acharam que tudo podia ser feito e transformaram a clínica num circo dos horrores, dois médicos atrapalhados, uma turminha do barulho e as bizarrices aumentaram. Teve mulher com uma serra elétrica mutilando o próprio seio, outra mulher que teve o seio arrancado pelo cachorro enquanto ela e o animal transavam e por aí vai, outra que sofreu mutilação vaginal e por aí vai. Larguei.   

"The O.C" (2003) - Esquecendo que, assistindo hoje, eu já acho a série bem chatinha, vou falar apenas que tive bons momentos. Até tolerei a segunda temporada, mas a terceira ficou mal escrita e com histórias que não convenciam ninguém. Num golpe de misericódia, mataram a chata insuportável da Marissa e a quarta temporada ficou excelente, mas aí já era tarde. 



"House" (2004) - Eu sei que as pessoas quase me espancam quando eu falo mal de "House", mas podem bater. Cinco excelentes temporadas e uma das melhores séries da TV, mas deveria ter acabado ali. O complicado de "House" é que os roteiristas realmente se esforçaram para inovar e deixar a história com novos arcos e personagens não manequeístas, mas não deu certo. House apaixonado não colou. Tirar toda a equipe médica e substituir por desconhecidos que nós não tínhamos a menor relação foi quase um suícidio. A série acabou há algumas semanas e eu não fiz questão de assistir. Prefiro lembrar de Gregory House na sua era de ouro. 

"Lost" (2004) - Ela revolucionou tudo. Dezenas de séries a imitaram, o modo de se contar uma história virou referência e a audiência era monstruosa (mais de 20 milhões de americanos assistiram a estreia), mas algo aconteceu. Flashback e flashforward pra tudo quanto é lado, luzes misteriosas, 4 milhões de mistérios pra resolver que nunca eram respondidos, sai personagem, entra, vai, volta, mestrados, doutorados e filosofia sobre a série. Tudo isso começou a ficar tão ridículo que a maioria já havia largado a história e os que ficaram já estavam desconfiados que as repostas seriam fracas. No fim, parece que os roteiristas preencheram um quadro branco, enumeraram os mistérios e foram inventando tudo porque não dava mais tempo. E tinha uma luz milagrosa de Jesus no meio. 


"Supernatural" (2005) - Era a série que tinha tudo pra ser ruim, mas acabou sendo boa. A partir da segunda temporada, o roteiro realmente ficou criativo e as histórias eram inteligente. Projetada para apenas 4 temporadas, o criador original da série a abandonou quando os executivos da emissora CW resolveram renovar. Resultado: a série é mais do mesmo e continua no ar até hoje. 



"Brothers & Sisters" (2006) - Essa me doeu. Os Walkers eram a família mais deliciosa da TV. Eles te abraçavam e diziam que tudo ficaria bem, a Sally Field era a mãe mais legal de todas e as personagens eram o exemplo de interação entre atores. Aí baixou o Manoel Carlos e rolou câncer, acidentes, mais tragédias, perda de memória, saída dos personagens, introdução de histórias ridículas. A série teve 5 temporadas, mas apenas as três primeiras valem realmente a pena. Ela acabou ano passado ao som de Born this way, da Lady Gaga. Confuso.

"Heroes" (2006) - No ano de sua estreia, os especialistas disseram que ela era a nova genialidade da televisão. A nova "Lost". A inovação. Um modelo. Aí veio a segunda temporada e o negócio degringolou. Nada salvou. A história virou um samba. Cada episódio trazia um novo sentido que não fazia sentido algum. O japonês legal foi pro passado, pro futuro, morreu, ressucitou e não sei o que aconteceu porque eu larguei essa tristeza.



"True Blood" (2008) - Eu ainda não desisti por três motivos: a primeira temporada foi genial, a segunda inteligente e divertida e é criação de Alan Ball, a mente por trás da perfeita "Six Feet Under". Depois, lobisomens surgiram, curupiras loucas, Sookie chata, Eric chato, Bill chato, Jessica chata, todo mundo insuportavelmente chato. Teve fantasma de uma africana que queria os ossos do bebê morto, uma bruxa louca, uns efeitos ridículos e um vilão que era a cara do Ronaldo Ésper. 

"Glee" (2009) - Do mesmo criador de "Nip/Tuck", Glee sempre foi mais supervalorizada do que boa. Eu simplesmente não sei o que acontece, mas todo mundo que eu conheço largou a série sem motivo aparente. Eu, inclusive.




"Friends" (1994) - Eu sou xingado pela maioria quando digo que "Friends" não é tão boa quanto parece ser. Mas calma. Eu tenho os DVDs, amo as personagens e nunca me envolvi tanto com um programa. Nos anos em que acompanhei a série, ela realmente era a melhor comédia. Mas, hoje, depois de tanta genialidade nas séries de comédia ("30 Rock"; "Parks and Recreation"; "The Office"; "Arrested Development" etc), eu acabei percebendo que tudo era mecanizado, as piadas são fracas e o público é manipulado a rir em todas as pausas. Isso funcionava nos anos 90 e começo de 2000, mas hoje essa linguagem não cola mais. Me julguem. 

As séries sensacionais de hoje podem ser as péssimas de amanhã.