Primeiramente, já está na hora de parar com o pensamento preconceituoso e sem fundamento de que "para um filme brasileiro, é muito bom". O Brasil já tem um repertório de filmes que não deixam nada a desejar e reconhecimento nem sempre é sinônimo de qualidade. Resultado disso, foi que, após assistir "Os 3" - longa de estreia de Nando Olival - o crítico da revista Variety propôs um remake americano.
E a história, se não ousada, é interessante e pouco explorada no nosso cinema. Três jovens universitários vindos de pontos diferentes do país se
conhecem durante uma festa e tornam-se inseparáveis. Alugam um
apartamento juntos e de tão próximos passam a ser conhecidos como "Os
3". Passam quatro anos mergulhados nesta amizade, mas com o fim da
faculdade, e tendo de seguir adiante com suas próprias pernas, eles
aceitam transformar o apartamento em que moram num cenário de reality
show, onde tudo está à venda e onde eles mesmo são os personagens.
A princípio, parece que o grande mote do filme é a discussão sobre a sociedade de consumo e os realitys shows, mas no decorrer do longa, vemos que Olival - juntamente com Thiago Dottori, coroteirista - quer contar uma história sobre o retardo da juventude antes de entrar efetivamente na vida adulta. Com Rafael, Camila e Cazé, vemos o medo em seguir caminhos separados e a difícil transformação que nós todos somos obrigados a enfrentar num momento da vida.
O curioso do longa é que a proposta era mostrar a vida normal de um grupo de jovens consumindo produtos dos quais as vendas aumentariam. Mas, justamente enquanto eles levam uma vida normal, o público não se interessa. Quando o trio resolve criar situações e montar diálogos é que as pessoas começam a prestar a atenção e tudo se torna mais real. E é interessante perceber que, enquanto eles afundam em situações fictícias, os diálogos parecem ser justamente o que eles pensam de verdade. E vale tudo. Desde beijo gay até a entrada de personagens pra manipular a audiência. A coisa só complica quando ninguém mais sabe o que é realidade e o que é ficção.
Os acertos do filmes são muitos. A bela fotografia minimalista entrega uma sensação de cumplicidade com aqueles jovens. Isso ajuda a tapar algumas atuações forçadas dos atores Juliana Schalch, Victor Mendes e Gabriel Godoy. A direção de arte é impecável, as passagens de tempo ajudam o público a vivenciar o dia a dia dos três sem que pareça algo irreal.
Algumas cenas são didáticas demais. Parece que Olival não confiava em suas imagens e precisava colocar um diálogo pra criar o entendimento necessário, algo que a direção segura com os atores já era o suficiente. Porém, nada disso estraga a experiência na qual ele se propõe.
Descompromissado, o longa vem somar mais um trabalho sobre o universo jovem, tema que tem ganho destaque no cenário nacional. Juntamente com "Antes que o mundo acabe" e "Enrolados", "Os 3" só querem contar uma história sobre a juventude, os problemas, e a vontade de viver o máximo que puder no menor período
possível.


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