Quando vi o trailer e alguns comentários sobre "Hugo", tive a mesma impressão que a maioria: basta um diretor conceituado tomar a frente de um filme - seja ele infantil ou não - que a academia logo dá mais atenção, pelo menos o colocando em alguma categoria do Oscar. Digo isso porque em 11 anos, a saga "Harry Potter" sempre saiu de mãos vazias da premiação, sendo indicada apenas à prêmios técnicos. Logo, a história sobre um menino órfão que mora numa estação de trem em que tudo parece meio mágico, vive se escondendo para não ir para o orfantato e é perseguido por um inspetor malvado, me parecia bem inferior - e um tanto injusto - ao menino bruxo que morava com os tios implicantes num armário sob a escada. Ledo engano. "A Invenção de Hugo Cabret" é uma grande homenagem ao cinema.
Dirigido por Martin Scorsese e baseado na obra de Brian Selznick, "Hugo" mostra a vida de um garoto (Asa Butterfield, o mesmo inexpressivo de "O menino do pijama listrado") na Paris de 1930. Ele vive escondido nas paredes da
estação de trem e guarda consigo um robô quebrado, deixado por seu
pai (Jude Law). Um dia, ao fugir do inspetor (Sacha Baron Cohen), ele
conhece Isabelle (Chloe Moretz), uma jovem com quem faz amizade. Logo
Hugo descobre que ela tem uma chave com o fecho em forma de coração,
exatamente do mesmo tamanho da fechadura existente no robô, que volta a funcionar, levando a dupla a tentar resolver um mistério
mágico.
O filme tem pretensão. Não é apenas um blockbuster nem utiliza os efeitos em 3D para tapar um roteiro fraco. "Hugo" filosofa sobre o tempo, usa de metáforas mostrando as engrenagens dos relógios e utiliza da magia - não aquelas sobrenaturais sem explicação - para contar uma realidade. Seus recursos gráficos estão presentes em toda a projeção e, talvez, seja o filme que os utilizou de forma mais inteligente e com ritmo. O uso de metalinguagem compõe boa parte do longa, mostrando como se faz cinema. Ou se fazia.
O grande mérito - e alma - do filme está justamente no retorno ao que o cinema representava. Fábrica de sonhos, escape da realidade, olhares admirados. Está tudo ali, o velho e bom cinema escapista. O título do filme leva o nome de Hugo Cabret, mas poderia ser George Méliès (1861–1938), grande cineasta dos anos 30. Scorsese faz uma grande homenagem à Méliès, reproduzindo alguns de seus filmes e contando (quase) toda sua história.
Mas nem só de elogios o filme se sustenta. Com duas horas de duração, algumas cenas enchem os olhos, mas são longas demais e apenas adiam algo que o público já sabe o que vai acontecer. O longa demora a engrenar e se torna cansativo. Ao mesmo tempo, a escolha do elenco se mostra acertada. Chloe Moretz - que interpreta a afilhada de Méliès - rouba a cena de Asa Butterfield, que apresentou uma melhora, mas continua com a mesma inexpressividade já vista em "O menino do pijama listrado". Pra quem tem saudades de "Harry Potter", estão presentes Richard Griffths - o Tio Váter - e Frances de la Tour, a Madame Maxine. Já o ótimo Sacha Baron Cohen traz alívio cômico necessário. O único problema é que todas essas atuações ofuscam o tal Hugo.
"Hugo" dificilmente leva o prêmio de Melhor Filme, mas pode sair com várias estatuetas. Com 11 indicações, Scorsese realiza sua obra mais doce e nostálgica de todas, mostrando que, muitas vezes, o passado sempre será melhor que o presente.
Oscar - Indicações
Melhor Filme
Melhor Direção de Arte
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Direção
Melhor Edição
Melhor Trilha Sonora
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som
Melhor Efeitos Especiais
Melhor Roteiro Adaptado
Melhor Filme
Melhor Direção de Arte
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Direção
Melhor Edição
Melhor Trilha Sonora
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som
Melhor Efeitos Especiais
Melhor Roteiro Adaptado


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