Aproveitando a ótima notícia de que, a partir de julho, o Netflix exibirá todas as temporadas de Buffy - A Caça-Vampiros, decidi rever vários episódios da série e escrever um novo post. Eu já havia falado sobre Buffy aqui no blog, mas achei que o texto estava preguiçoso e não explicava realmente o que a série significa para a cultura pop e nem causava o efeito pretendido: fazer você, leitor, assistir a uma das melhores coisas já feitas na televisão. Então, vamos lá!
Nos Estados Unidos, quando as principais séries encerram suas temporadas, os canais sobrevivem de reprises e de pequenas produções, geralmente com 12 episódios cada, para tapar buraco. Esse período é conhecido como mid-season, no qual as emissoras não esperam audiências muito significativas, somente o necessário para manter seu público fiel. Foi assim que, no verão americano de 1997, a Warner lançou Buffy - A Caça-Vampiros. O projeto saiu da cabeça do até então desconhecido Joss Whedon, que já havia escrito um roteiro para o cinema, que gerou o fracassado filme homônimo, lançado em 1993. A ideia de Joss era satirizar a clássica história da garota loira que entra no beco escuro e é morta em cada filme de terror. O filme foi um um fracasso comercial e de crítica. Em entrevista, Whedon declarou que tinha escrito um filme assustador sobre uma mulher com poderes, mas o estúdio transformou-o em uma comédia tosca. A produção foi tão mal recebida que existem listas que a consideram uma das piores da história do cinema. Portando, não tenha curiosidade de vê-la. É realmente ruim.
Mas, quatro anos depois, o produtor Gail Berman resolveu reler o roteiro de Whedon e decidiu dar uma nova chance à história. Para Whedon, Buffy era a mistura de dois grandes sucessos da televisão da época: Barrados no Baile, sobre a vida de adolescentes num condado da California, e Arquivo X, suspense sobrenatural que já havia se tornado febre. Em 1996, a Warner deu sinal verde e encomendou os 12 episódios que formariam a primeira temporada da série.
Em uma nada badalada terça-feira de março, Buffy estreou. Com um orçamento limitadíssimo - US$ 3 milhões para a produção de toda temporada - o primeiro ano é marcado pelo trash, que acabou caindo no gosto popular. Nos anos seguintes, cada episódio custaria cerca de US$ 2,3 milhões. O que começou bem cafona e engraçado, se tornou referência quando conversa-se sobre televisão. Mais de dez anos após sua estreia, Buffy já foi citada como a segunda melhor série de todos os tempos pela revista Empire e a nona pela Entertainment Weekly e o episódio musical (falaremos dele mais tarde) ocupa o sexto lugar na lista de episódios mais memoráveis dos seriados da televisão da revista TV Guide.
No início, a trama mostra Buffy (Sarah Michelle Gellar, que vai encontrando o tom certo durante a série), a escolhida para enfrentar as forças do mal e mantê-la longe do mundo dos homens. Ao seu lado, estão seus amigo Xander (Nicholas Brendon) e Willow (Alyson Hannigan). Buffy ainda conta com o seu guardião Giles (Antony Stewart Head) e do vampiro Angel (David Boreanaz), que devido a uma maldição cigana, teve sua alma resgatada e agora é do bem. Tudo isso acontecia em Sunnydale, conhecida como a Boca do Inferno. Com uma sinopse tão boba, Buffy torna-se uma série difícil de indicar. Sua primeira temporada é fraca e facilmente descartável, já que não acrescenta muita coisa à narrativa, embora seja interessante ver como tudo começou.
O nome Joss Whedon, hoje, é sinônimo de respeito. O diretor tornou-se um dos mais cultuados representantes do mundo nerd. Depois de Buffy, ele entrou para o time de roteiristas da Marvel, fez crescer sua produtora e roteirizou e dirigiu mega sucessos, como "Os Vingadores". Whedon parece ter crescido junto com Buffy e sua direção é notória no decorrer dos anos. Durante suas sete temporadas, Buffy saiu da zona de conforto diversas vezes, fazendo com que a série tivesse episódios geniais que são imitados até hoje.
Hush é um dos mais corajosos episódios da televisão. Cansado de ouvir que Buffy só era boa pelos seus diálogos, Whedon foi lá e dirigiu um episódio com apenas 17 minutos de conversa, fazendo com que os moradores de Sunnydale ficassem sem voz. Um simples caso da semana virou o melhor episódio da história da série, ao menos na opinião dos críticos. No sexto ano, ao invés do silêncio, temos um episódio musical que resolve alguns arcos narrativos.
O que era bobinho tornou-se sério e cruel. Já na segunda temporada, vemos Buffy ter que lutar contra seu grande amor, quando Angel perde sua alma e volta a ser o vampiro cruel de 200 anos atrás. O galã da série acabou sendo um dos melhores vilões, firmando a segunda temporada como uma das mais surpreendentes e tensas. Depois, temas como amor, traição, homossexualidade e morte se tornariam recorrentes. The Body é um exemplo de como Joss Whedon é brilhante. Focado na morte da mãe de Buffy, o episódio é marcado pela ausência de uma trilha sonora. Em entrevista, o diretor declarou que seu objetivo era passar ao público que a morte não vem com uma música calma e reconfortante e não há o que fazer. Buffy chega em casa e encontra sua mãe morta. Não há demônios nem vampiros, apenas a morte natural. Com uma atuação inspiradíssima de Sarah Michelle Gellar, o impacto desse episódio é importantíssimo para entender a qualidade de toda a série. A pedido de Whedon, a cena toda foi feita sem cortes, exigindo de Sarah sua entrega total, o que conseguimos ver quando ela tenta reanimar sua mãe e diz: "Ela está fria...". Mesmo sendo a heroína da série, nem ela - nem o público - podem fazer alguma coisa. Mais assustador que monstros, é a própria vida.
Se Buffy segurava a série, os personagens secundários tinham o mesmo nível de importância. O crescimento de Willow durante os 7 anos é admirável, principalmente no sexto ano, quando ela acaba flertando com o mal e, nos dois últimos episódios da temporada, se torna a vilã. Assim como Anya, que era um demônio qualquer de um caso da semana e vira um importante e inesquecível personagem recorrente. Joss Whedon não tinha medo de arriscar: se livrou de personagens sem medo, colocou uma irmã para a protagonista na quinta temporada que não havia sido menciona nas quatro temporadas anteriores e a transformou no principal arco narrativo daquele ano. Ele também tirou o par romântico da protagonista e criou uma série própria para ele. Angel durou 5 anos.
Buffy durou 7 anos e teve história do início ao fim. A série tinha espaço para complexas tramas existenciais, metáforas sobre o consumo de drogas, morte, maturidade e agonia existencialista. É uma série sobrenatural, mas poderia não ser. O mais admirável (e assustador) em Buffy, é sua maneira de nos mostrar como enfrentar os demônios pessoais.
Logo abaixo, você encontra uma lista dos melhores e importantes episódios da série
Aproveite que o Netflix exibirá todas as temporadas. Os DVDs, no Brasil, já não estão disponíveis e a sexta e sétima temporada nunca foram lançadas. Não tenha preconceito, vá atrás. Buffy será uma das melhores experiência televisivas que você poderá ter.
Os 10 melhores episódio de Buffy - A Caça-Vampiros

10. Passion (2ª temporada) - Se a série vinha passando por momentos engraçados e leves, a partir daqui o clima muda completamente. Angel mostra seu lado perigoso e mata uma importante personagem secundária.
09. Innoocence/Becoming - Parte II (2ª temporada) - Imagine ter sua primeira noite com o amor da sua vida e descobrir que, se o cara tivesse um único momento de felicidade, ele voltaria a ser dominado pelo lado obscuro e cruel. Joss Whedon não teve medo de arriscar e fez o galã da série se transformar no vilão mais cruel de todas as temporadas. E não há final feliz.

08. The Gift (5ª temporada) - Ainda sobre a coragem de Joss Whedon, este episódio termina com outra decisão difícil para Buffy: ao invés de matar sua irmã, mesmo sendo a única forma de evitar o apocalipse, Buffy descobre que seu destino é a própria morte e acaba se sacrificando. Antes de morrer, diz a frase que ainda é repetida pelos fãs da série: a pior coisa dessa mundo é viver nele.

07. Conversations With Dead People (7ª temporada) - Buffy nunca foi uma história de terror, podendo ser melhor classificada como drama. Mas, aqui, a série foca em tensão psicológica e terror de verdade, quando todas as personagens centrais da série enfrentam seus maires medos por meio de conversas com pessoas que já morreram.

06. Grave (6ª temporada) - Perturbada após a morte de sua namorada Tara, Willow decide se vingar dos assassinos, mostrando seu lado negro. Porém, ela se volta contra Buffy e protagoniza um duelo de magia com Giles e decide destruir tudo ao seu redor quando percebe que a dor dos seres humanos nunca acabará.
05. Normal Again (6ª temporada) - Buffy acorda em um hospício e descobre não só que sua mãe está viva, como seus pais ainda são casados. O médico diz que tudo o que ela viveu nos últimos anos não passou de um delírio.

04. The Wish (3ª temporada) - O que aconteceria se Buffy nunca tivesse chego a Sunnydale? Este episódio responde esta pergunta com um episódio no qual os vampiros dominam a cidade e Giles reúne um grupo de rebeldes para reverter a situação. O destaque fica com Willow, que não é nem de longe a menina tímida dos outros episódios. The Wish também apresenta a demônio Anya. que viria a ser uma das melhores personagens da série.
03. Hush (4ª temporada) - Um grupo de demônios, elegantes e bem vestidos (tirando o rosto) chega a Sunnydale e decide roubar a voz de todos os habitantes. Por quê? Eles se alimentam de corações e, se escutarem um grito humano, suas cabeças explodem. O resultado é o sensacional episódio com mais de 30 minutos sem nenhum diálogo.

02. Once More, With Feeling (6ª temporada) - Se hoje muitas séries fazem seus episódios musicais, a inspiração certamente vem de Buffy. Um demônio é invocado e transforma a vida de todos em um musical, mas nem tudo é o que parece: ao cantar, as pessoas revelam seus mais profundos e íntimos segredos, magoando uns aos outros. A trilha sonora foi uma grande sucesso na época e atualmente é uma peça da Broadway.

01. The Body (5ª temporada) - Durante todos os episódios, o público tinha certeza que, mesmo quando algo muito ruim acontecia, se você estivesse perto de Buffy, tudo acabaria bem. Porém, no 16º episódio do quinto ano, a série trouxe uma carga dramática em seus 42 minutos que muitas séries não conseguem em anos. Buffy chega em casa e encontra sua mãe morta no sofá. Desde o momento em que Buffy fica em estado de choque ao constatar que sua mãe está fria até o momento em que ela percebe que sua mãe, de fato, morreu, o público não é poupado. Não há demônios para se enfrentar nem vampiros para matar. As personagens recebem um choque de realidade quando precisam enfrentar a única coisa da qual eles não podem impedir: a morte natural. A direção desse episódio - caracterizada pela ausência de trilha sonora - é impecável.
Logo abaixo, você encontra uma lista dos melhores e importantes episódios da série
Aproveite que o Netflix exibirá todas as temporadas. Os DVDs, no Brasil, já não estão disponíveis e a sexta e sétima temporada nunca foram lançadas. Não tenha preconceito, vá atrás. Buffy será uma das melhores experiência televisivas que você poderá ter.
Os 10 melhores episódio de Buffy - A Caça-Vampiros

10. Passion (2ª temporada) - Se a série vinha passando por momentos engraçados e leves, a partir daqui o clima muda completamente. Angel mostra seu lado perigoso e mata uma importante personagem secundária.
09. Innoocence/Becoming - Parte II (2ª temporada) - Imagine ter sua primeira noite com o amor da sua vida e descobrir que, se o cara tivesse um único momento de felicidade, ele voltaria a ser dominado pelo lado obscuro e cruel. Joss Whedon não teve medo de arriscar e fez o galã da série se transformar no vilão mais cruel de todas as temporadas. E não há final feliz.

08. The Gift (5ª temporada) - Ainda sobre a coragem de Joss Whedon, este episódio termina com outra decisão difícil para Buffy: ao invés de matar sua irmã, mesmo sendo a única forma de evitar o apocalipse, Buffy descobre que seu destino é a própria morte e acaba se sacrificando. Antes de morrer, diz a frase que ainda é repetida pelos fãs da série: a pior coisa dessa mundo é viver nele.

07. Conversations With Dead People (7ª temporada) - Buffy nunca foi uma história de terror, podendo ser melhor classificada como drama. Mas, aqui, a série foca em tensão psicológica e terror de verdade, quando todas as personagens centrais da série enfrentam seus maires medos por meio de conversas com pessoas que já morreram.

05. Normal Again (6ª temporada) - Buffy acorda em um hospício e descobre não só que sua mãe está viva, como seus pais ainda são casados. O médico diz que tudo o que ela viveu nos últimos anos não passou de um delírio.

04. The Wish (3ª temporada) - O que aconteceria se Buffy nunca tivesse chego a Sunnydale? Este episódio responde esta pergunta com um episódio no qual os vampiros dominam a cidade e Giles reúne um grupo de rebeldes para reverter a situação. O destaque fica com Willow, que não é nem de longe a menina tímida dos outros episódios. The Wish também apresenta a demônio Anya. que viria a ser uma das melhores personagens da série.
03. Hush (4ª temporada) - Um grupo de demônios, elegantes e bem vestidos (tirando o rosto) chega a Sunnydale e decide roubar a voz de todos os habitantes. Por quê? Eles se alimentam de corações e, se escutarem um grito humano, suas cabeças explodem. O resultado é o sensacional episódio com mais de 30 minutos sem nenhum diálogo.

02. Once More, With Feeling (6ª temporada) - Se hoje muitas séries fazem seus episódios musicais, a inspiração certamente vem de Buffy. Um demônio é invocado e transforma a vida de todos em um musical, mas nem tudo é o que parece: ao cantar, as pessoas revelam seus mais profundos e íntimos segredos, magoando uns aos outros. A trilha sonora foi uma grande sucesso na época e atualmente é uma peça da Broadway.

01. The Body (5ª temporada) - Durante todos os episódios, o público tinha certeza que, mesmo quando algo muito ruim acontecia, se você estivesse perto de Buffy, tudo acabaria bem. Porém, no 16º episódio do quinto ano, a série trouxe uma carga dramática em seus 42 minutos que muitas séries não conseguem em anos. Buffy chega em casa e encontra sua mãe morta no sofá. Desde o momento em que Buffy fica em estado de choque ao constatar que sua mãe está fria até o momento em que ela percebe que sua mãe, de fato, morreu, o público não é poupado. Não há demônios para se enfrentar nem vampiros para matar. As personagens recebem um choque de realidade quando precisam enfrentar a única coisa da qual eles não podem impedir: a morte natural. A direção desse episódio - caracterizada pela ausência de trilha sonora - é impecável.








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