Amanhã, sexta-feira 13, estreia mais um filme de terror e o pessoal do marketing insiste em achar que basta lançá-lo em uma data mística que o sucesso será certo. Felizmente, para Invocação do Mal (The Conjuring, EUA, 2013), é bem provável que o público brasileiro corra para o cinema, já que o burburinho anda crescendo a cada notícia ou trailer divulgado. O filme já estreou nos EUA há quase 3 meses e vem sendo aclamado pela crítica como o melhor filme do gênero desde O Exorcista.
Só em seu final de semana de estreia lá fora, arrecadou US$ 41,9 milhões, foi a maior abertura para um filme de terror com história original, maior abertura em três dias de um filme de terror da Warner Bros. e a maior abertura do diretor James Wan, mais conhecido pelo seu trabalho no primeiro longa da série Jogos Mortais.
Pois bem, criaram o clima e colocaram a expectativa nas alturas. Foi com essa expectativa que assisti ao longa, esperando um respiro e originalidade para um gênero que vem sofrendo de roteiros pobres. Mas contrariando as dezenas de críticas favoráveis, Invocação do Mal é bom apenas se considerarmos os últimos lançamentos dos EUA. O que não quer dizer muita coisa.
Pois bem, criaram o clima e colocaram a expectativa nas alturas. Foi com essa expectativa que assisti ao longa, esperando um respiro e originalidade para um gênero que vem sofrendo de roteiros pobres. Mas contrariando as dezenas de críticas favoráveis, Invocação do Mal é bom apenas se considerarmos os últimos lançamentos dos EUA. O que não quer dizer muita coisa.
Baseado em uma história real (claro), o longa acompanha os demonologistas Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), mundialmente conhecidos, chamados para ajudar uma família que está sendo assombrada por fenômenos sobrenaturais em uma casa de fazenda isolada. Obrigados a enfrentar uma entidade demoníaca poderosa, os Warrens se veem presos ao caso mais aterrorizante de suas vidas.
A partir disso, encontramos tudo o que já é esperado: a casa assustadora que fica no meio do mato, muitas folhas secas, uma família feliz querendo mudar de vida, fenômenos estranhos, portas batendo, sombras no corredor, o truque do espelho e por aí vai. A diferença está na direção segura de James Wan, que consegue a proeza de deixar seu filme elegante. Se fosse na mão de qualquer outro diretor mais inexperiente, o longa poderia ser só mais uma sucessão de clichês usados de maneira preguiçosa. Aqui, me permitam a contradição, o clichê é usado de forma inteligente, embora você já tenha visto tudo aquilo em, no mínimo, uns dez filmes só este ano. Wan não foge do lugar comum e nem parece tentar, mas consegue se mover em um terreno incansavelmente explorado. Seu trabalho anterior, Assombração (Insidious, EUA, 2010) já mostrava sinais de que o diretor trabalhava em cima de situações já conhecidas, mas tentava trazer o estilo dos filmes de terror clássicos ao invés de colocar adolescentes sem camisa em uma cabana no meio da floresta. Wan parece ter aprendido que esses recursos clássicos ainda funcionam, mas que pequenos detalhes fazem a diferença na reação do público.Ao invés de enquadramentos padrões, Wan passeia com a câmera em travellings que fazem o público entrar em todos os cômodos da casa e se aproximar da família. Wan constrói a narrativa sem apelar para sustos fáceis e não entrega o jogo logo de cara. Em momentos pontuais, trabalha com o escuro, ruídos, espíritos aparecendo atrás da pessoas, ou pior, debaixo da sua cama. A trilha sonora aparece para fazer a tensão crescer, mas desaparece em momentos certos. Algumas sequências podem realmente assustar, como um jogo de "esconde-esconde" bizarro ou uma boneca demoníaca. Wan bebe de referência de outros filmes de sucesso, como Horror em Amytiville (que, aliás, é um outro caso real que foi investigado pelo casal Warren e que ganha uma pequena homenagem no final), O Exorcista e Os Pássaros. As atuações de Lili Taylor, Vera Farmiga e Patrick Wilson complementam o que é necessário para um filme de terror: convencimento. As expressões de Vera, ás vezes, assustam mais do que as as próprias entidades demoníacas.
Mas o problema é o exagero. Dizer que é o melhor filme de terror dos últimos tempos é criar uma expectativa que mais parece um desespero para que o público, após assistir, ache mesmo que é a obra mais assustadora do cinema. O roteiro é pobre e cheio de furos, embora possa ser um belo exemplo de como uma direção, raramente, consegue salvar boa parte de um filme. Aqui, ainda com todos os acertos já ditos, tudo continua sendo óbvio e o público sabe todos os passos das personagens.
A obra merece elogios por fazer a audiência tomar susto sem precisar abusar de uma edição com efeitos especiais ou jogos de câmera que aplicam sustos sem nada ter a ver com a narrativa. Embora não se encontre nenhuma novidade, o diretor entende que o espírito de um filme de terror é a tensão e o clima.
Não deixa de ser uma mistura de clichês sem vergonha, mas com um material reciclável usado com bastante habilidade.


Nenhum comentário:
Postar um comentário